terça-feira, 1 de maio de 2007

Que o "vermelho" deste abril fique apenas na bandeira...

No ano, o dia 1º de maio talvez seja o mais marcado por protestos, não apenas no Brasil, como pelo mundo. Os protestos que marcaram 2007, até agora se mostraram bem pacíficos e com um teor crítico evidente, o que é mais do que louvável. Reivindicações como aumento de salário, corrupção de empresário/governos e até reconhecimento da prostituição (Índia), fizeram parte do dia de hoje.

Mas como sempre, nem tudo são flores – principalmente no Brasil-, fomos surpreendidos com uma gigantesca invasão do movimento MST por todo o país. Ao todo foram nada menos do que 81 invasões, contrastando com a ocorrida em 2004, quando o movimento invadiu e destruiu cerca de 89 fazendas, sobre o pretexto do chefe nacional do movimento, João Pedro Stédil, que havia prometido “infernizar” o primeiro mandato do presidente Lula.

A invasão de hoje não se restringiu a apenas fazendas: invasões em prédios governamentais, agências bancárias oficiais, praças de pedágio e fechamento de rodovias, fizeram parte das ações do grupo. Até agora, não tivemos uma indicação de marginalismo por parte dos protestos do movimento, como em 2004.

A principal reivindicação é a agilização da Reforma Agrária pelo governo Lulista. Mas será que seria uma boa? A distribuição de terras desocupadas e sem uso algum para moradia, sem dúvida é um projeto ambicioso, mas incrivelmente competente. Entretanto, o projeto que nosso presidente diz estudar neste atual mandato, prevê a distribuição das terras, não apenas para moradia, mas também para a implantação de trabalhos agrônomos, a fim de, junto a combater a mazela dos sem-tetos, eliminar também um pouco do problema do desemprego. Bom, talvez nisso o audacioso projeto seja equivocado. Sendo o Brasil um país sub-desenvolvido, grande parte de nossa economia gira em torno da exportação de produtos agrícolas, que trazem um gigantesco retorno financeiro ao país. Pelo visto, Lula quis utilizar deste fator para “resolver” parte do problema do desemprego. Digamos que tal pensamento seja em vão. Decerto que boa parte de nossa economia gire em torno da agricultura, mas uma esmagadora parte das exportações realizadas e dos produtos agrícolas que encontramos nos supermercados vêm de empresários do ramo, que possui empresas e subsídios que comporta produzir e vender em grandes quantidades. O mercado agrícola não é amplo. Lógico que daria para que cada um beneficiado com este projeto do Lula plantasse e trabalhasse com isso, mas o lucro seria absurdamente inferior. Não teria mercado, digamos assim. Assim não adianta o presidente tentar resolver tudo utilizando nosso famoso “jeitinho brasileiro”. A idéia da distribuição de terras não-utilizadas (tem de se grifar, mais abaixo a explicação), para moradia é louvável, mas a implantação de produção agrícola para os beneficiados, é no mínimo equivocada demais.

O MST está certo em reivindicar os direitos prometidos por Lula, mas vamos com calma. Ainda não saiu nada de concreto na mídia jornalística – e espera-se que não saia-, mas repetir o pandemônio que foi em 2004, é nojento. Destruir as fazendas ocupadas, queimar plantações e matar o gado, são ações dignas da FARC colombiana. Quando acontece um impasse entre o dono das terras e os ocupantes, o proprietário é que vira o vilão. O discurso carregado dos chefes socialistas se torna adverso às ações cometidas pelo grupo. A distribuição das terras deve ser feita com áreas realmente desocupadas, desapropriadas. Apesar de que, como andam as coisas, é improvável que o movimento dos sem-terras, fiquem satisfeitos com uma distribuição justa.

Na Bahia, 5 mil protestantes do movimento, foram as ruas em uma passeata com gritos e bandeiras exigindo seus direitos. Sem ocupação, sem destruição, apenas a passeata. Talvez essa, no Brasil todo, seja a única merecedora de palmas.

Bom, ficamos a espreita para que este “Abril Sangrento”, não seja seguido ao pé da letra.

27 comentários:

Nathalie Jácome disse...

o seu texto tem um caráter informativo, muito bom vale a pena divulgar.
um abraço

K.R@fael disse...

Post muito bem escrito...

Renan disse...

tow virando fã do teu blog
super informativo e interessante
vlw

ÍCARO GIBRAN disse...

Blog inteligente, interessante... mto bom! Inteligência é um marco no seu blog! Visitarei + vezes!!

ana paula disse...

legal seu texto!!!!! gostei mesmo!!

Márcio Fransen. disse...

Opa beleza amigo!

Estou com um texto da facul pra ler até amanhã. Mas está anotado seu blog me pareceu muito legal. Logo estarei comentando sobre os posts. Abraços

Fábio disse...

Diego, parabéns pelo texto.

Concordo que o MST está certo em reinvindicar seus direito, fazer passeatas e no caso protestos mais audaciosos, mas daí a invadir fazendas e proliferar a raiva dos latifundiários, já não acho certo.

Se eles querem que o governo faça alguma coisa, pq não vão em Brasília e façam lá os acampanhentos? Peguem terras lá que não são produtivas, principalmente as áreas governamentais. Acabem com o cotidiano dos "políticos", atrase a vida deles, bloqueiem aeroportos e avenidas.

Sim, é exagerado, mas se eles fizerem isso, consequentemente terão o apoio do resto do Brasil, pois, em grande maioria, o povo está cansado de ver políticos indo e vindo de brasília como se fossem Deuses intocáveis. Fazendo esse tipo de protesto, a mídia dará muito mais ênfase em seus discursos e, se isso tornar-se corriqueiro, com certeza, algum retorno isso dará.

Bom, não sei se é o certo, mas é uma idéia. Pois, penso que a melhor coisa para os Políticos foi a transferência do Governo Federal para Brasília, longe do povo, como se eles quisessem paz e tranquilidade para poder "trabalhar".

Abraços

Dorian disse...

O MST não é um movimento social. É uma organização política que pretende, se escondendo atrás de uma causa legítima, insuflar a sociedade contra a ordem institucional e constitucional, manipulando as massas. Uma pobre que quer trabalho e uma massa desordeira e desocupada que quer apenas a desordem. Querem transformar o Brasil em um país socialista. Se antes de chegarem no poder são intolerantes, imagine se chegarem?

L.S. Reis disse...

Opa! Concordo com Fábio, lá em cima! Brasília foi projetada para não haverem prostestos, rs... Um conhecido meu disse que uma vez foi pra lá junto com uns 15 ônibus de manifestantes, mas que quando desceram na frente do planalto mesmo a impressão é de que tinham 15 pessoas!
Acho que o caráter das manifestações tem que mudar, afinal violência gera violência.
Mas isso é tema pra outro post ^^

Passei justamente pra Ufes, vc será meu calouro mesmo, se Deus quiser!! Ele é justo cara, e vc merece, já tá no caminho!
abraços!

Henrique Fogli disse...

Bom texto Diego!

Não seria 1º de maio ao invés de 1º de abril lá no começo?

Abraço!

Monsieur Coçard disse...

pois é... lutar sempre, perder a cabeça jamais. não se esqueçam eles que quando um dia tiverem suas terrinhas podem aparecer outros "sem terra" e tomá-las deles...

abraços

caio arroyo disse...

Nao importando o motivo estou ficando com raiva desses tipos de protestos, as pessoas nao pensam, nao tem ideia de como fazer e ainda ajudam a piorar o transito como aqui em sp, otimo texto!

Fernando Teixeira disse...

Dae diego, demorei, mas to aqui...heheh

Obvio, o MST é um movimento politico que não tem autonomia para falar em nome do povo. Só tem autonomia para falar a respetio dos anseios do sem-terra. O fato é que não adianta simplesmente a distribuição de terras em um mundo onde o grande capital não é o agricola, mas o intelectual. Hoje se exporta mao de obra qualificada, tecnologia e serviços. A agirucltura demanda simplesmente para a subsistencia.

Pequenos produtores produziriam menor quantidade de produtos pois nao poderiam produzir em escala e nem teria tacnicas mais avançadas de produção. Hoje vemos os pequenos agricultores com prejuizos, sejam eles por emprestimos bancarios os perda da produção. Vale mais investir em educação, ensino básico e universidades. Produzir mão de obra qualificada. Empregos no Brasil estão sobrando, o que falta mesmo é mão de obra que tenha capacidade para executar as tarefas necessitas, mas mesmo assim muitas empresas tem que trazer funcionarios do exterior para trabalhar nas empresas brasileiras.

A solução para o emprego não está na distribuição de terras, mas sim no comprometimento e qualificação na produção do capital intelectual, moeda de troca pesada no mundo globalizado.

Ah, atualizei anteontem o www.objecoes.blogspot.com
passa lá, hoje vou atualizar o FT..
abraços!

comentandoséries disse...

jah sou teu fã kra...faz um tempo que nao via novos textos por aki...
e esse foi um dos melhores que li, mto bom...

parabens!!

Arthurius Maximus disse...

Realmente, essas invasões ensandecidas acabam por prejudicar a causa da reforma agrária. O que parece (e no fundo já se sabe)é que as lideranças deste movimento, pouco se importam com os sem terra, o que buscam é a projeção política e uma teta governamental para se encostarem.

Tiago disse...

E que os homens amem-se uns aos outros como a si mesmos. Só assim existirá o tão sonhado "mundo melhor" da mídia e dos governantes.
Ótimo post.

Alex Costa disse...

Muito bom o post!
Dia do trabalhador deveria ser todos os dias:
mais respeito,
mais oportunidades,
mais liberdade.
Abração

Nao tem Sentido disse...

Cadeia para os sem-terra invasores e depredadores do patrimônio dos outros!

Elzinha disse...

wow!!!
Show!
vc madou muito bem! mto bem escrito!


=]

disse...

vc escreve muito bem. Cada post é melhor que o outro...adoro! parabéns!

Jeff McFly disse...

Cara! Muito bem escrito o post. Parabéns.

Há tempos que num vou muito com a cara do MST. Desde aquela invasão naquela universidade, acho q no RS, que eles destruiram o prejeta de anos de perquisa.

Como vc disse no texto, eles passaram a ser os vilões. São um bando de brucutus.

André Logan disse...

Sempre tive uma opnião formada a respeito de invasões dos sem terra... tudo um bando de vagabundo... ok ok, tem muita gente sem oportunidade no Brasil, mas muita gente tbm. não faz questão de correr atrás, tentar fazer a diferença.

Vanessa Lee disse...

Eu acho que a manifestação, apartir do momento que que é feita com violência ou desacato á lei, não é legal! A questão da distribuição de terra no Barsil é um tema urgente que se não houvesse o MST nem seria lembrado, mencionado. Vejo dentro do MST uma maioria que realmente necessita de terras comandados por ideólogos de profisão. Só espero que o MST, que tem tantas coisas positivas tbm, acabe não virando um grupo guerrilheiro.

Tarzan ® disse...

Com tanta desigualdade o jeito que o povo acha pra cobrar é indo pra luta.
O problema é q tem muita gente q aproveita desses movimentos pra tirarem proveito próprio.

E o numero deles só tende a aumentar.

Blog Esponja ®
www.blogesponja.net

Diego Moretto disse...

Bom, este soou mais um Ensaio do q um artigo: MST, desordem, exportação, economia, reforma agraria...
Mas acho que consegui passar o que queria. Bom, vi tbm que não sou o unico a achar que hoje o MST estão mais para um bando de desordeiros do que um grupo de reivindicação. É triste, pois o país precisava de algo assim, mas não do jeito que ta. Destruição=terrorismo! Muito bem lembrado o caso da destruição das pesquisas na Universidade do RS. Aquilo foi catastrofico, porco, nojento. Anos de pesquisa literalmente destruidas. Só não são considerados grupos fuzileiros pq ainda, não andam com armas poderosas. "Mas então, pq não liberam terras pros coitados?" Galera, vcs acham mesmo que eles querem apenas terras? Com certeza, ao dar terras para eles, novos sem terras vão aparecer. É triste. Mas é a verdade, nua e crua.

Diego Moretto disse...

Ooops, quase esqueço galera. OBRIGADO A TODOS VIU?! Voltem mais e deixem suas opiniões sempre, contrarias ou não...até a próxima!!!

Ly disse...

Me encanta ver pessoas tão jovens pensando tanto e com tanta qualidade. As questões sociais mundiais são sempre bem vindas à pauta, porém elas sempre são tendenciosas e há aquele misto de política, interesses pessoais e coletivos onde cada um vai delinear se vale a pena, se é realmente coerente.
Quanto à prostituição, penso que respeito já ajudaria um tanto.
Assim como a questão do aborto, as pessoas discutem o se pode fazer, mas não o como se vive depois que se faz....

Aiaiaiaiaia, tô falando demais