terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os 10 Melhores álbuns de 2013


1. 'SETTLE' - Disclosure: Os jovens irmãos Lawrence’s incendiaram pistas com um garage-house inacreditável, fino e acessível em pleno 2013.

Ouça: Latch 


2. 'RANDOM ACCESS MEMORIES' - Daft Punk: Passado é futuro em disco atemporal que presenteia a música com nostalgia fina e parcerias de ouro. Obra-prima!

Ouça: Get Lucky


3. 'YEEZUS' - Kanye West:  Para uma das mentes mais criativas do atual cenário musical o céu nunca será o limite. Assim, ele virou Deus.

Ouça: New Slaves 


4. 'OVERGROWN' - James Blake: A sensibilidade inquieta deste jovem britânico brilhante funciona e emociona em disco genial.

Ouça: Retrograde  



5. 'HOWLIN' - Jagwar Ma: A bem-vinda onda de psicodélicos na Austrália tem mais um astro e é DJ.

Ouça: The Throw  




6. 'MODERN VAMPIRES OF THE CITY' - Vampire Weekend: Indies arriscam reconstruindo carreira e acertam na coesão profissa e na paixão pelo julgado estilo. 

Ouça: Diane Young 


7. 'TROUBLE WILL FIND ME' - The National: Com o The National os problemas podem ser bem menores neste rock fino que sensualiza ouvidos alheios em mais um acerto sonoro da banda. 

Ouça: Demons 

8. '...LIKE CLOCKWORK' - Queens of the Stone Age: A beleza pode estar nas coisas mais sujas para Josh Homme em disco estrelar e acessível, sem perder a complexidade atraente de sempre. 



9. 'REFLEKTOR' - The Arcade Fire: Arte e História fazem a diferença em disco soberbo que ultrapassa os limites da música.

Ouça: Reflektor  


10. 'COLD SPRING FAULT LESS YOUTH' - Mount Kimbie: Dupla ascende como atuais grandes nomes do post-dubstep depois deste disco. Camadas e arranjos geniais não perdem nunca o ritmo e nem a beleza.

Ouça: You Took Your Time 

  • Fizeram 2013:

Adult – The Way Things Fall
AlunaGeorge – Body Music
Arctic Monkeys – AM
Bad Religion – True North
Bárbara Eugênia – É o Que Temos
Beady Eye – BE
Beyoncé – Beyoncé (A chave de ouro do ano)
Biffy Clyro – Opposites
Black Sabbath – 13
Boards of Canada – Tomorrow’s Harvest
Booka Shade – Eve
Camera Obscura – Desire Lines
Chance the Rapper – Acid Rap (melhor mixtape do ano)
Christopher Owens – Lysandre
CHVRCHES – The Bones of What You Believe
Cut Copy – Free Your Mind
David Bowie – The Next Day (Rei!)
Depeche Mode – Delta Machine
DJ Rashad – Double Cup
Editors – The Weight of Your Love
Eminem – Marshall Matters LP 2
Foals – Holy Fire
Ghost (B.C.) – Infestisummam
Haim – Days Are Gone
Holy Ghosts – Dynamics
Hurts – Exile
Jake Bugg – Shangri La
Jamie Lidell – Jamie Lidell
Jamie Woon – Mirrorwriting
Jay-Z – Magna Carta Holy Grail
John Talabot – DJ Kicks
Jon Hopkins – Immunity
Justin Timberlake – 20_20 Experience
Karl Bartos – Off the Records
King Krule – 6 Feet Beneath the Moon
Kings of Leon – Mechanical Bull
Laura Marlin – Once I Was na Eagle
Laura Mvula – Sing to the Moon
Little Boots – Nocturnes
London Grammar – If You Wait (A voz do ano!)
Lorde – Pure Heroine
M.I.A. – Matangi
Macklemore & Ryan Lewis – The Heist
Major Lazer – Free the Universe
Mayer Hawthorne – Where Does This Door Go
Miley Cyrus – Bangerz
Morcheeba – Head Up High
Mount Kimbie – Cold Spring Fault Less Youth
My Blood Valentine – M B V 
Nine Inch Nails – Hesitation Marks
OneRepublic – Native
Palma Violets – 180
Phoenix – Bankrupt
Portugal, The Man – Evil Friends
Pretty Lights – A Color Map of the Sun
Rudimental – Home
Sasha – Involv3r
Savages – Silence Yourself
She and Him – Volume 3
Sigur Ros – Kveikur
Sky Ferreira – Night Time, My Time
Superchunk – I Hate Music
The Knife – Shaking the Habitual
The Naked and Famous – In Rolling Waves
The Weeknd – Kiss Land
These New Puritans – Fields of Reeds
Toro y Moi – Anything In Return
Unknown Mortal Orquestra – II
Villagers – {Awayland}
Washed Out – Paracosm
Wavves – Afraid of Heights
Woodkid – The Golden Age
Yeah Yeah Yeahs – Mosquito
Young Galaxy – Ultramarine 










 




segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os 10 melhores álbuns de 2012

Passado o susto do possível cancelamento do blog pelo Google, há exatamente um ano atrás - por eu ter cedido em minha lista do ano, downloads -, volto com a minha lista anual, de cunho totalmente pessoal e fruto de um trabalho intenso, já que, na música, 2012 foi um excelente ano.

Grandes nomes, grandes estreias e surpresas ficaram de fora desta lista. Desde novatos como John Talabot, Jessie Ware e Jake Bugg até nomes já consagrados como Bob Dylan, Norah Jones e os Crystal Castles fizeram bonito neste ano, mas estes abaixo foram destaques - então #ficaadica. Confiram o porquê:



1. An Awesome Wave – Alt-J

A viagem alucinante proposta pela estreia do Alt-J consome desde a primeira audição. As transições de harmonias, com coros de solos de vozes e instrumentação, faz todo este quebra-cabeça pop art se transformar com precisão em canções sólidas, flertando com o prog rock sem se tornar pretensioso ou cafona. As letras são a fórmula secreta para que a viagem funcione mesmo como uma fantasia. Este exagero entrega descobertas a cada audição, com personagens e bordões com intuito único de divertir e deixar tudo na mais perfeita ficção.


2. Visions - Grimes

A inquieta canadense Claire Boucher, aka Grimes, surpreende na colcha de retalhos eletrônicos criados a partir de Visions, seu ultimo trabalho. O lo-fi ambiente, por vezes sombrio e demasiado experimental de seus discos anteriores, é esticado a um eletro-pop puramente minimalista e industrial -  o que entrega uma devoção aos reis do Kraftwerk -, datado com extremismos, com espectros e sons mediáveis. Os primeiros singles do disco, Oblivion e Gênesis, são pretensiosos na busca por um novo pop, mas mostram um bom ouvido de Boucher para melodias e sabedoria para transitar pelo indie e pelo mainstream sem se tornar prepotente.



 3. Channel Orange - Frank Ocean

É na tristeza de seu diário aberto que Frank Ocean faz a sua estrela brilhar mais forte. Grande produtor, Ocean agora mostra maior talento nas composições e trilha um caminho para ser um astro consagrado de R&B. Foi a sua sexualidade que despertou a atenção da mídia, bem vinda pelo fato da atenção maior dada a sua obra-prima, mas foram as suas angústias e dúvidas que emolduraram toda a riqueza de Channel Orange. Esses sentimentos são apontadas com cuidado e esmero pelo jovem influenciado por grandes nomes como Prince e Pharrel, guiando colaboradores especiais e entregando um épico de dez minutos, “Pyramids”, que coroa de vez o triunfante álbum, corajoso e bastante funky, satisfazendo uma necessidade que não sabíamos que tínhamos. 


4. Good Kid, M.A.A.D. City – Kendrick Lamar

Encontrar  um poeta de rua jovem e deslumbrante nos tempos de hoje, é como achar uma mina. É quase inimaginável que Lamar tenha escrito todas as suas letras. São autorais, histórias de como é crescer nas ruas, a violência, a estupidez daqueles que se julgam melhores do que os outros. É amargo e dito nitidamente por alguém que vive diariamente essa realidade, com esperança de que tudo irá melhorar. E melhorou. Comparações com a verdade de Tupac ou o calibre harmônico do Nas são inevitáveis. Catapultado para o time dos grandes, Kendrick Lamar parecer ter muita coisa a dizer ainda, mas que o sucesso do artista não tire o brilho da realidade que percorre sua mente.


5. Blunderbuss – Jack White

O primeiro disco solo da carreira de Jack White é uma coroa de flores no túmulo da esperança dos que acreditavam em uma provável volta do White Stripes. As influências e referências nítidas e nada arrogantes e que eram antes, separadas nos outros projetos do músico, agora concentram-se em 13 faixas livres e com apenas um comando, puramente e para sempre Jack White.



6. In Your Heads – Hot Chip

Do reinado ao limbo, o Hot Chip já experimentou de tudo nestes quase oito anos desde o seu bom debut. Mas é sabendo dosar que temos aqui um dos melhores discos de sua carreira. Agora o flerte com o pop já não é mais preconceito para a banda e canções despretensiosas e mais maduras colocarão seu nome nos grandes estádios. Não tem como não ficar mexido com o swing de Don’t Deny Your Heart e muito menos com a genialidade harmônica e hipnótica de Flutes, hino pop indie que é de longe a melhor gravação do ano.


7. Coexist – XX

Após fazer com que um mundo caótico prestasse atenção em seus barulinhos minimalistas, o XX foi coroado como a cereja do bolo dos indies. Com isso, a espera por Coexist foi inquietante e o vazamento do disco foi rodeado por críticas sumárias, de primeiras audições. Foram acusados de se repetirem, mas como lançar algo radical quando se faz um som minimal? O avanço na sonoridade existe e não é entregue de prima. As percussões são mais risíveis, Romy e Oliver dançam com suas vozes e entregam uma parceria de ouro. Os sintetizadores e a guitarra única do Jamie XX estão lá, cada vez mais geniais. E com isso tudo, se a fórmula foi repetida é o de menos. Novamente uma outra dimensão foi aberta pelos XX, nosso trabalho é apenas imergir e desfrutar. 


8. Given to Wild – The Maccabees

O The Maccabees sempre foi uma banda respeitada mas nunca foram taxados de extraordinários. O amadurecimento parece que veio a galope para o quinteto e o resultado é entregue no melhor disco da carreira da banda. Os assuntos agora são sérios, papo de adulto, e os músicos trabalham como se fossem profissionais com muitos anos de experiência, distinguindo a verdade sólida da idade de cada um dos integrantes. As canções são mais encorpadas, com camadas de guitarras translúcidas e enfurecidas sobrepondo as lamentações melancólicas e quase bucólicas cantadas lindamente por Orlando Weeks. Par a par com o vocal, os instrumentos ganham vida no disco e mostram que os caras do Maccabees são ambiciosos e já estão no caminho para conquistar o mundo. 


9. Blues Funeral – Mark Lanegan Band

A segunda parte do seu romance tenebroso, iniciada sete anos atrás, conta com ilustres colaborações, mas é a versatilidade do seu narrador como músico que deixa este velório especial. A briga de suaves sintetizadores com distorções pesadas e enfurecidas das guitarras, mapeiam o clima aterrorizador da voz de Lanegan, em hinos lúgubres e cada vez mais belos.


10. Return to Paradise – Sam Sparro

O flerte com o dance não é de hoje, mas é com Return to Paradise que Sam Sparro se volta a era de Ouro sem se esquecer do futuro. O eletro soul australiano namora o funky e o soul de forma rica e lidera toda viagem saudosista com festa. A insistência no flerte com a década setentista soa pesada, mas é irresistível o guia musical formado durante todo o disco: são décadas se encontrando, colonizador com sua colônia primária, festejando a linha tênue que liga esses mundos: a boa música pop. 









sábado, 9 de abril de 2011

The National - Rio de Janeiro (Circo Voador, 08 de abril de 2011)

O atraso quase se tornou irritante, talvez insuportável, mas não negativamente e sim pela euforia visível no âmago de cada fã que lotava o Circo Voador, no Rio de Janeiro, na naquela noite de sexta. Sim, fãs, responsáveis por trazer os americanos por meio do incrível projeto QUEREMOS e que muito tem salvado admiradores e consumidores de um som de qualidade.

Assim que as luzes púrpuras se acenderam e o timbre refinado de Matt Berninger cantaram as primeiras palavras de Runaway, o atraso foi esquecido, e deste momento em diante, seria apenas momentos glamourosos de trocas de elogios entre banda e público.

Em um show feito por fans, a banda – tendo como porta-voz o frontman – não cansava de agradecer, em português, aos ali presentes, chegando ao ponto de nos dizer que estavam “sentindo falta de momentos como aquele” além de ressaltar ser um dos melhores shows feitos na carreira do The National.

Entre uma queda doída do vocalista, erro engraçado de letra e esquecimento de acordes do guitarrista, fizeram um show catártico. Momentos sublimes eram entoados música a música em uma coesão banda/público divina. No repertório, em sua maioria, músicas do fabuloso último álbum, High Violet, e de seu anterior, The Boxer. Além de duas faixas “extras” pedidas pelo público e atendidas pela banda.

Visivelmente Matt Berninger e banda ficaram satisfeitos por terem feito um dos melhores concertos de suas vidas. No final apoteótico, assim como em São Paulo, se deu com amplificadores e microfones desligados e quase à capela, público e banda cantam o hino “Vanderlylle Crybabe Geeks”, fazendo com que lágrimas voem e aplausos se misturem a gritos que duraram bons minutos, em agradecimento a um show inesquecível e único.

SETLIST:

Runaway
Anyone's Ghost
Mistaken For Strangers
Bloodbuzz Ohio
Slow Show
Squalor Victoria
Afraid Of Everyone
Conversation 16
All The Wine
Abel
Sorrow
Apartment Story
Lemonworld
Green Gloves
England
Fake Empire

Encore:
Brainy***
Lucky You
Mr. November
Terrible Love
Vanderlyle Crybaby Geeks (acoustic)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Apostas Oscar 2011

Observações: A minha lista está bem clichê, obvia. Não gosto do Oscar, há muita coisa por trás da premiação que desconhecemos. Me surpreendeu que O Discurso do Rei foi o filme do ano, mas aceito, o filme realmente é muito bom, apesar de eu adorar Cisne Negro. A técnica venceu neste edição. As injustiças foram em Ator Coadjuvante e Melhor Edição - essa foi uma flopação descarada. Mas enfim, para mim, os melhores do ano - de acordo com as categorias correspondentes - são:

- “A rede social”
- “O discurso do rei” [VENCEU]
- “Cisne negro”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “Toy Story 3”
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”

Melhor diretor:
- David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei” [VENCEU]
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”

Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
- Colin Firth – “O discurso do rei” [VENCEU]
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”

Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
- Natalie Portman – “Cisne negro” [VENCEU]
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”

Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
- Christian Bale – “O vencedor” [VENCEU]
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"

Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
- Melissa Leo – “O vencedor” [VENCEU]
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”

Melhor roteiro original:
- “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei” [VENCEU]
- "Another year"

Melhor roteiro adaptado:
- “A rede social” [VENCEU]
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"

Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
- "Toy Story 3" [VENCEU]

Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas" [VENCEU]
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"

Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem" [VENCEU]
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas" [VENCEU]
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
- "Inside job" [VENCEU]
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"

Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
- "Poster girl"
- "Strangers no more" [VENCEU]
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"

Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
- "A rede social"[VENCEU]

Melhor filme de língua estrangeira
- "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca) [VENCEU]
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)

Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" - John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross [VENCEU]

Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
- "We belong together", de "Toy Story 3" [VENCEU]

Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
- "God of love" [VENCEU]
- "Na wewe"
- "Wish 143"

Melhor curta-metragem de animação
- "Day & night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing" [VENCEU]
- "Madagascar, carnet de voyage"

Melhor edição de som
- "A origem" [VENCEU]
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"

Melhor mixagem de som
- "A origem" [VENCEU]
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
- "A origem" [VENCEU]
- "O Homem de Ferro 2"

Melhor maquiagem
- "Minha versão para o amor"
- "Caminho da liberdade"
- "O lobisomem" [VENCEU]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Aplausos eternos!

Carnaval, época boa e de diversão na cidade maravilhosa. Mas porque não conciliar a jogação com o que há de melhor no teatro em cartaz na cidade? Abaixo, seguem três espetáculos grandiosos que assisti recentemente e que recomendo. Há desde visíveis nascimentos de estrelas, até a consagração de outras. Aulas de teatro, e históricos momento da dramaturgia. Valem cada centavo gasto. Bom, é isso. Divirtam-se e MERDA aos atores em cena eterna!

Sonhos para Vestir

É única a dança que Sara Antunes faz com as palavras. A sensata delicadeza, já irresistível em outros trabalhos da atriz/dramaturga, aqui toma força por causa da emoção do tema. Toques extremamente pessoais homenageiam a figura de quem parece ter sido um grande homem, seu pai. Sara é a guia desta peça sublime, contagiante e interativa. Aqui você permeia durante todo o espetáculo, volta na infância, ri de si próprio, reflete sobre seu lugar no mundo. É um aconchego filosófico gracioso. A direção de Vera Holtz faz com que o texto não se perca e rume em direção a um desfecho onde o cenário da artista plástica Analu Prestes faz toda a diferença. Aqui nasce uma diva da arte, sorte de quem a acompanha.

Casa de Cultura Laura Alvin.

Até 28 de março de 2011.

Quintas e Sextas: 21h


As 3 Velhas

Por falar em diva, o que falar da verdadeira dama do teatro underground paulistano? Maria Alice Vergueiro atua e dirige o espetáculo As 3 Velhas, que vem ao Rio de Janeiro após uma temporada de sucesso em São Paulo. O mórbido texto de Alejandro Jodorowski é rebatido por um grande toque de humor negro. Maria Alice, em sua direção, constrói uma montanha-russa cênica, variando do humor quase pastelão para uma dramaticidade pertinente. O espetáculo não é para estômagos fracos. Estupro, pedofilia, abortoS, mortes...tudo é narrado com sombria solidez, que em muitos momentos transcende em euforia. Luciano Chirolli arrepia na melhor atuação teatral do ano. Cenas memoráveis e inesquecíveis são feitas por um ator experiente e despojado. O texto adaptado se torna rico com um desfecho ironicamente moderno, remetendo ao reconhecimento nacional da Sra. Vergueiro. Uma peça que vai ficar na história. Último final de semana, estando no Rio, não percam!

Teatro Poeira.

Até 27 de fevereiro de 2011.

Qui./Sex./Sab.: 21h – Dom. 18h


In on It

Enrique Diaz já é uma marca no teatro nacional e internacional. Dono do melhor espetáculo da década (Ensaio.Hamlet – revista BRAVO), a sua direção metalingüística é reconhecida em todo o mundo. Em uma de suas mais incisivas e bem construídas montagens, coloca Fernando Eiras e Emílio de Mello duelando em um verdadeiro curso intensivo de teatro. Interpretando mais de dez personagens em três planos dramáticos, os atores lidam com perdas e angústias superadas pela paixão pela arte. É um metateatro magistral, com uma luz divina que faz com que nossa cabeça entre em ferveção total tentando acompanhar um texto rico e interpretado grandiosamente por dois grandes da cena teatral. Vencedora de dezenas de prêmios, a peça fala por si só. Obrigatória para amantes da arte.

Teatro Maria Clara Machado.

Até 27 de março de 2011.

Qui./Sex/Sáb.: 21h – Dom.: 20h


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cisne Negro (Black Swan – 2010)

Conhecendo a filmografia de Darren Aronofsky, nota-se que sua paixão pela obsessão, seja ela pelas drogas (Requiém Para um Sonho), pela razão (π) ou mesmo pelo amor (Fonte da Vida), é o calor propulsor para jornadas homéricas e objetivas em busca de um lugar comum entre o desejo e a satisfação. Em Cisne Negro o agente propulsor é o mesmo, aqui enquadrado na perfeição. Aronofsky, em sua própria fixação, cria a sua verdadeira fera, perdida entre a delicadeza e a beleza de um meio onde ser impecável já não basta, e a ousadia se torna a grande chave para o sucesso.

A fera chama-se Nina, interpretada gloriosamente pela israelense Natalie Portman, que constrói uma bailarina correta e exigente consigo mesma. A perfeição e a exatidão são irrefutáveis. Seus gestos são delicados, certeiros, líricos, assim como devem ser os de uma bailarina. Nina, então, ganha o que parece ser um sonho: o duplo papel do cisne branco e negro em uma nova adaptação de “O Lago dos Cisnes” – Tchaikovsky.

Nina é uma exímia bailarina para interpretar o Cisne Branco. Suave como deve ser uma dama, correta na dança, delicada e sutil no sorriso. Entretanto, o papel é duplo, e a bailarina precisa encontrar em si mesmo a convicção certeira do despudor, da maldade irônica de uma verdadeira cisne negra. A desfragmentação psicológica vivida pela personagem em busca desta característica que falta, é crescente e cruel. Com a chegada da novata Lily (Mila Kunis), as coisas só pioram, já que a ousadia e a rebeldia – além do talento – são os sobrenomes desta garota, uma visível cisne negra. Com isso, o desespero emerge em Nina e a possessão por conseguir a perfeição do personagem torna tudo extremamente drástico.

Aronofsky é capaz de sugar os mais puros sentimentos, sejam eles bons ou ruins de seus personagens, sempre muito bem aproveitados. Em Cisne Negro, Natalie é rodeada por estrelas que brilham a cada cena. Seja com uma mãe (Barbara Hershey) que luta com a inveja e frustração de sua filha ser o que ela nunca pode ser. Ou de um talentoso diretor de artes (Vincent Cassel), que tenta, de todas as formas, injetar um pouco de desejo, de volúpia, de maldade na frígida Nina. Sem esquecer também da grata surpresa proporcionada pela personagem de Wynona Rider, Beth, uma bailarina de sucesso substituída pela idade e pelos excessos, responsável pelo esclarecimento de que não existe perfeição, apenas cobranças. Frisa-se também a excelente atuação de Mila Kunis, dona do personagem Lily, que em todos os momentos serve, grandiosamente, como respaldo adverso ao personagem de Portman. Lily protagoniza cenas surreais com uma química eloquente. Portman se apóia com força em Kunis, e isso é arrepiante e ao mesmo tempo delicioso de se ver.

A montagem arrebatadora de Andrew Weisblum faz com que nossos corações palpitem de acordo com o andamento do espetáculo O Lago dos Cisnes. Desde o encantador prólogo, com um jogo de câmeras que dança junto à uma Natalie honestíssima com o ballet, até a virada surreal para o ato dois, trabalhados aqui em comunhão a um Aronofsky totalmente ciente do que se passa com uma juventude transviada – ou não – deste atual século.

A fotografia e a sonoplastia surrealistas remetem à um David Lynch coeso, e são responsáveis pelas mazelas psíquicas da personagem, com seu psicológico afetado pela pressão e a vontade sedenta de ser grande.

Mais uma vez, o americano Darren Aronofsky expõe que obsessões não são garantias de sucesso. Com um final magistral, ele entrega que a perfeição é tão impossível de se conseguir quanto à vida eterna. Estudioso ávido destes novos seres-humanos, o diretor entrega outra obra-prima, assim como todas de sua filmografia. As dezenas de prêmios conquistados apenas reforçam a formação de outro clássico. Natalie está no papel de sua carreira. A atuação de Mila Kunis é a prova do surgimento de uma grande estrela. E Wynona Rider afirma que ainda pode brilhar muito. Estes pequenos detalhes fazem com que Cisne Negro feche com chave de ouro a era cinematográfica da última década. É aguardar e torcer para que a arte sempre prevaleça, e que possamos sempre contar com talentosos objetos, como este, um privilégio.

NOTA: 10,0