
2007, entre tantas coisas, pode também ser lembrado como um ano em que se perderam grandes talentos. Só citando como exemplo, no começo do ano perdemos Sidney Sheldon, um dos grandes mestres da literatura norte-americana. Na última segunda, o tesouro cinematográfico não perdeu apenas um, e sim dois gênios consagrados, que levavam a 7º arte realmente ao pé da letra, transformando cinema em obras-primas.
Na manhã de segunda, o diretor sueco Ingmar Bergman (foto1), de 89 anos, faleceu em sua própria residência de causas não divulgadas. Bergman foi responsável por levar inteligência e poesia para as telas (e para os palcos) de todo o mundo. Seus 40 filmes, sem exceção, possuem uma categoria superior na 7º arte. Com toques pessoais de melancolia, solidão e morte, o diretor levava o clima noir ao máximo e com sutilidade. Aliás, tratar da morte com maestria era uma das características mais marcantes do diretor sueco. Ver a morte sob olhos alegres e fascinantes da personagem principal de “Morangos Silvestres” ofusca a forma ironicamente engraçada do script principal de “O Sétimo Selo”, em que o personagem tem de decidir a vida em um jogo de xadrez jogando com a própria Morte. Ambos filmes tratando do tema “morte” de forma maravilhosa.
Mas, Ingmar Bergman alcança um patamar ainda maior da genialidade com o belíssimo “Fanny e Alexandre”, premiado com 3 Oscar´s. Tamanha qualidade talvez se deva pelo fato da história do filme ser praticamente a história de sua vida. Assim como os dois irmãos do filme são maltratados física e psicologicamente pelo padrasto Bispo, o diretor teve uma traumática infância, com um pai (pastor luterano) rígido e violento. Em rara entrevista, Bergman disse que desde criança era atormentado por demônios, e ao se acostumar com isso, transformava em história.
Mas, como se não fosse o bastante perdermos uma figura como Bergman, na noite dessa mesma segunda-feira, morre o diretor de cinema italiano Michelangelo Antonioni (foto2), aos 94 anos. O diretor também faleceu em sua residência de causas naturais. Antonioni foi um mestre em levar o drama ao ponto mais sensível do discernimento humano, com temas como solidão, egoísmo e angustia, tratados da forma mais real e humana no mundo cinematográfico. “Blow Up” e “A Aventura”, são apenas alguns dos grandes clássicos da carreira do diretor.
Infelizmente, hoje em dia, são poucos diretores que ainda são lembrados pela genialidade de suas obras. Como ressalva pela morte de Bergman, temos o excentricamente talentoso Woody Allen, que diz ser muito inspirado pelo diretor sueco, o que é ótimo, já que os filmes de Allen também primam pela qualidade. Bom, tanto as obras de Bergman como as de Antonioni ficarão marcadas para sempre na história do cinema mundial. Aos que não os conhecem, busquem as obras, sem dúvida alguma, àqueles que realmente gostam de um bom filme, não irão se arrepender. In Memorian....