
Ser presenteados sempre com boa música não é nenhum sacrifício, ainda mais se tratando de um Hard Rock de qualidade. Ok, anda meio difícil se achar alguma banda de hard rock muito boa, mas que seja diferente das outras. Mesmo tendo de suportar esse clichê a cada novidade mainstream de peso, a banda que lhes indicarei é um dos achados deste ano.
Antes, é merecido o reconhecimento de uma banda que busca qualidade cada vez mais, mesmo não conseguindo. O Velvet Revolver (foto2) foi um tipo de Audioslave bem sucedido. Em 2004 lançaram um fantástico álbum, Contraband, que trazia um Slash e um Matt Sorun potentes e um Scott Weiland ainda dando pro gasto. Bebendo na fonte oitentista do hard rock, o álbum teve seu sucesso e o fez por merecer. O segundo trabalho lançado este ano, Libertad, não repetiu a mesma fórmula. Tentaram inovar, mas não o conseguiram, ficou algo meio óbvio e mostrou uma fraqueza: A (antes) bela voz do ex-Stone Temple Pilots, Scott Weiland, rendeu-se aos abusos do cantor e parece maquiada no Libertad. Uma pena. Enquanto isso, o ex-vocalista do citado Audioslave, Chris Cornell (foto3) também cai na qualidade em seu segundo álbum solo. Não que Carry On seja ruim (estamos falando do Cornell ok?!), mas comparado a seu antecessor, Euphoria Morning, a qualidade é bem inferior.
Então já que o Scott anda mal nas cordas vocais, e o Cornell anda mal em músicos, porquê não coloca-lo à frente do Velvet Revolver e acabar de vez com essa história? Nada disso, para isso temos o fantástico Operator (foto4), banda de rock´n roll puro que equilibra bem o que esses dois citados têm a oferecer.
“Achado” pela Atlantic Records, depois de uma demo lançado pelo vocalista Johnny Strong, em um projeto solo, e após uma união com alguns ex-integrantes de bandas, o Operator vem trabalhando em seu cd de estréia desde 2005. Soulcrusher teve seu lançamento ainda neste mês de agosto, e já vem obtendo boas críticas diante seu primeiro trabalho, e o melhor, aceitação do público: o álbum está desde sua estréia no Top 10 da Billboard, na categoria “Mainstream Rock”, e não é por menos.
Soulcruscher já começa estourando. A música que dá nome ao álbum também é o primeiro single - com um clipe censurado. Começando com uma voz a lá Cornell (assim como no álbum todo) e crescendo para gritos e uma guitarra enfurecida de bons riffs, a primeira música de trabalho é uma das melhores do álbum e uma ótima escolha para estrear. E por assim se segue quase todas as faixas. Ótimas músicas pesadas e algumas baladinhas desnecessárias, mas até boas por causa da bela voz.
A Operator peca em não criar uma identidade. A forte semelhança com a voz do Chris Cornell, pode ser uma cruz para a carreira do Strong, o que é uma pena. O produtor, erroneamente, parecer querer tirar proveito dessa qualidade. A mixagem das músicas lembra um pouco o grunge da época do Soundgarden. Aos ardorosos fans nem tanto – soa mais como um hard rock a lá Velvet Revolver mesmo-, mas para quem apenas curte o som da primeira grande banda do Chris, sendo meio leigo nas músicas deles, vai começar a comparar, o que é a pior coisa a ser feita. Outro erro está nas músicas consideradas ''baladas''. Se usassem da esperteza, fariam um álbum arrebatador, forte mesmo, com poucas músicas lentas. Seria fantástico. Este clichêzão de que tem de ter baladas nos cds, é questionável, ainda mais neste caso.
A Operator lançou um ótimo álbum em 2007, infelizmente não é um dos melhores, mas vale muito a pena conhecer o trabalho da banda. Tomara que a “maldição do segundo disco” não pegue a banda, e o próximo álbum seja arrematador, caso contrario, viria um possível triste fim.