sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sangrenta Deficiência Judiciária.

Da semana passada para cá, ficamos chocados com dois episódios distintos, mas que provam o quão deficiente é o sistema penal brasileiro.

O primeiro veio da idéia podre do apresentador Ratinho, do SBT, de entrevistar o assassino Guilherme de Pádua. Quanto à entrevista e a repercussão que isso deu, nada a dizer, até porquê a atitude é claramente ignorante e indignante. Mas fazendo um aprofundamento no caso Daniella Perez, ficamos aterrorizados com a frieza e a falta de escrúpulos do sr. Pádua, um ser humano insignificante e psicopata que tentou, de todas as formas possíveis e incabíveis, ter sucesso algum dia. Assistindo entrevistas e lendo o laudo do crime, é impressionante o juiz da época condena-lo a apenas 19 anos em regime fechado, sendo que o mesmo foi solto em apenas 7 anos.

O outro caso é o do Adimar Jesus da Silva, que é o principal suspeito por assassinar seis jovens em Luziânia, Goiás. O acusado volta à prisão após cumprir uma curta pena por abuso sexual. Curta pena mesmo, porque foram apenas três anos e alguns meses de reclusão. É triste ver que no laudo psiquiátrico deste assassino encontra-se dizeres como “personalidade negativa” e “pontos de sadismo” - sadismo é o prazer sexual em ver o outro ser sofrer.

Para os milhares de brasileiros que não conhecem as leis profundamente – como eu -, ao ler certas coisas ficamos na pensativa, o que há então? Como realmente funciona a justiça brasileira? Será que laudos médicos como este não são suficientes para que certos presos recebam acompanhamentos e que “bom-comportamento” não seja o único motivo pelo qual se pode liberar um presidiário bem antes de cumprir a pena?

No caso de Guilherme de Pádua, tudo pareceu um jogo inteligentíssimo que muitos crápulas usam, hoje em dia, para parecerem bons condutores e poderem, assim, mostrarem estar aptos para voltar à sociedade. O jogo em questão é brincar com a fé, é se tornar pastor depois de ser traficante, estuprador, assassino e afins. Isso ficou bastante claro na entrevista de Pádua ao Ratinho. Ao meu ver, a técnica é a mesma de certos pastores ex-gays e ex-travestis, que achou um negócio lucrativo e por isso utilizam da falsa fé e do falso testemunho para enganar menos favorecidos. Por isso, enquanto esperamos uma resposta do supremo, igrejas são bombardeadas por pastores de araques que apenas querem lucrar com o sofrimento que causaram.

Assim, com o cheque devidamente assinado, surge a dúvida: porque não uma lenta mas eficaz reformulação da legislação judiciária? Não passamos da hora de adotar a prisão perpétua? Até quando veremos assassinos como o casal que matou cruelmente a menina Isabella serem libertados bem antes da decisão final por “bom comportamento”? Até quando seremos obrigados a ver assassinos como o do menino João Hélio, serem libertados um a um por falhas na lei? E o que a justiça diz à doméstica agredida fisicamente - e com seqüelas que a impossibilitam de trabalhar – por jovens ricos e que hoje se encontram todos em liberdade? Ou aos casos já mencionados?

Assim, apenas pedimos: chega de brechas! necessitamos de uma resposta já, pois esta brincadeira de prender bandidos é bastante séria e já está bastante comprometida pelo arcaico sistema que o envolve.

7 comentários:

Arthurius Maximus disse...

O caso Daniela Peres é emblemático porque tanto o Guilherme de Pádua quando a mulher são hoje réus primários novamente. Não foram apenas "soltos". Eles foram indultados e suas ficha criminais canceladas. Não é lindo?

Rafaela Grazziotti disse...

Ei Diego.
Achei muito interessante seu Blog, estou te seguindo, algumas de suas ideias batem com alguns propositos de meu Blog também.
Parabéns pelos seus questionamentos.

beijos Rafaela Grazziotti.

♥♥NaNnA BeZeRrA♥♥ disse...

Diego,
Perfeito! perfeito!
Só que os únicos reus, na realidade, somos nós. Pessoas de bem, cerceadas em sua liberdade de ir e vir, porque a Justiça, cega, não nós concede esse direito tão constitucional. Mas, te pergunto: De quem é a responsabilidade? Quem é capaz de mudar essa instituição e seus códigos? quem pode fazer algo por nós, pobres e leigos de informação? Quem pode?

Será que o povo, essa humanidade que já passou por tantos estágios em busca de evolução, terá que se violentar novamente e fazer justiça com as próprias mãos?

Eu temo pelas gerações vindouras...

Parabéns de novo e sempre por me trazer tantos questionamentos...

beijão♥

Anônimo disse...

This will astonish you!
Please see before you judge!

ZEITGEIST: ADDENDUM

http://www.zeitgeistmovie.com/

Money as debt

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project camelot magnetic motor

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Importante please pass forward

Vladir Duarte disse...

Como funcionário da justiça, poderia ficar aqui culpando os políticos que não fazem leis duras e tal; poderia também culpar a sociedade que é omissa e passiva diante das minorias organizadas que acabam aprovando leis duríssimas contra crimes bobos e, em nome dos direitos humanos, tratam assassinos e sequestradores como rapazes de família. Tudo isso é verdade, mas há tambem uma outra verdade: a da podridão do poder judiciário, cheio de Juízes intocáveis, que se acham deuses, que agem como querem, não se importam com nada, e ainda vendem sentenças e outras decisões. Conheço até um caso na bahia em que um desembargador pediu x para soltar um cara acusado de pedofilia... o sobrinho do acusado pagou e o tio foi solto na mesma semana. Está por aí, livre para estuprar e matar quem quer que seja. O Judiciário está minado por juízes desse tipo, os poucos que são realmente sérios naõ conseguem fazer frente a essa corja.

Danilo Moreira disse...

Bem... o que esperar de um código penal de 1941 e que até hoje não foi reformulado???

Abçs!!!!

http://blogpontotres.blogspot.com/

Chantinon disse...

Governos e Leis (ou regras sociais) são o espelho da sociedade, e a sociedade é manipulável, por isso o nome "curral eleitoral".

Infelizmente o problema é mundial, e como as sociedades (a historia mostra isso) só mudam radicalmente após grandes tragédias, teremos que conviver com isso até tudo ficar de uma forma (mais ainda) insuportável.