terça-feira, 6 de abril de 2010

A Grande Questão

Você paga meia-entrada? Se sim, acha justo isso? Se a resposta ainda for sim, pergunto-lhe: você assiste a um espetáculo inteiro ou apenas metade dele? E mesmo assim você acha justo pagar meia? Esta discussão é a que prevalece atualmente na justiça, colocando em embate a classe artística e o governo.

Afinal, é certo a classe ser obrigada a dar meia-entrada para muitos, sem receber subsídios algum do governo? Esta é a grande questão, pois o jogo publicitário de pequenas mídias governamentais faz tudo parecer uma cobiça cega das pessoas que trabalham e vivem da arte. Para muitos leigos, cidadãos normais, apreciadores de teatros, shows e cinemas, por exemplo, e que pagam meia-entrada mediante apresentação de carteirinha - original ou não - na porta da bilheteria, esta discussão é infundada e inacreditável, pois tais artistas são pessoas que gostam de usufruir da boa vida e não se contentam com o que ganham.

Essa, é a visão que é passada a nós, os cidadãos leigos e consumidores. Nas entrelinhas, temos custos altíssimos, desde a montagem de espetáculos até a compra de material para se exibir um filme no cinema, valor este que é pago de uma única forma, sem divisão ou descontos por se tratar de arte.

O governo brasileiro exige que espetáculos possuam meia-entrada sem ao menos subsidiar o custo que isso acarreta para a produção. A discussão não é a retirada desta lei, e sim o investimento nela, a criação de um fundo para que os custos sejam relativos aos gastos, e que ninguém saia perdendo.

É por este motivo que temos grandes problemas em nosso país com grandes shows internacionais que demoram ou não passam por aqui, ou grandes produções de teatro que não vão para frente devido à falta de verba, ou filmes geniais que são feitos nas coxas, entre vários outros exemplos.

As leis de incentivos são apenas direcionadas a grandes espetáculos teatrais, descartando o teatro de raiz, o mambembe, que destoa de história neste país.

Repetindo, o que a classe artística, ou a produção executiva destes espetáculos quer, é que o governo não pense que gastar 800 milhões no Ministério da Pesca é o mesmo do que gastar 70 milhões no Ministério da Cultura. É fazer com que as leis funcionem. Que estudantes, idosos e afins exerçam seus direitos de poder fazer parte deste mundo cultural, até então limitado e elitista, sem causar déficit para o espetáculo.

Não é um grande problema, mas é mascarado porque aqui ainda temos problema em reconhecer a arte como de grande importância para um povo. O grau de avanço de uma determinada população é medida de acordo com o nível cultural que prevalece nela. Não é a toa que recebemos muitos subsídios internacionais para que grandes espetáculos, cinematográficos e teatrais, aconteçam da forma que deve acontecer. Nós, brasileiros, somos bastante reconhecidos por nossa cultura lá fora, ano a ano recebemos prêmios e indicações por infinitas atividades culturais, o problema é que não damos o valor, ou não podemos pagar o valor.

É nisso que entra a questão: de quem é a culpa? O que fazer para reverter isso? Os problemas já foram apontados e as possíveis e fáceis resoluções também, mas tudo pode ser resumido em uma única palavra: seriedade. É disso que nossos governantes precisam, apenas disso.

2 comentários:

Arthurius Maximus disse...

Na verdade a questão já foi superada. Pelo menos, aqui no RJ, todos os teatros e cinemas adotaram a prática do "me engana que eu gosto". Simplesmente dobraram o preço dos ingressos e a meia entrada é hoje o preço normal do espetáculo. Isso foi admitido pelo próprio líder do setor em entrevista a um canal de televisão.

É o que dá morar num país de "espertos" e de populistas. Querem criar benefícios com os bolsos alheios e a população, por sua vez, adora uma ilegalidade. Para não naufragar as casas de espetáculo, os artistas e os cinemas; adotam-se técnicas de "sobrevivência".

E dane-se quem é honesto e paga inteira.

Vladir Duarte disse...

É uma questão muito complexa. A meia entrada tem como objetivo possibilitar que estudantes tenham acesso à cultura e ao lazer, pelo menos, foi isso que me disseram. Mas há que se levar em conta o outro lado, o custo dos organizadores de shows, peças teatrais e cinemas... isso acaba encarecendo o valor do ingresso "inteiro", para fazer com que o estudante pague, na verdade, o valor justo.
Essa deveria ser um benefício restrito aos estudantes de escolas públicas, não faz sentido um estudante que paga mil reais de mensalidade escolar, que anda de Audi e mora numa puta mansão, pagar meia entrada num espetáculo cultural...