
Com a chegada do verão americano, demos sorte de um dos filmes mais esperados do ano (se não for o mais esperado), ter estréia mundial hoje. O homem-aranha 3, além de ser um dos mais esperados, ainda fica com o mérito de um dos mais contagiantes do ano, além de ser o melhor filme sobre personagens famosos de HQ.
[SINOPSE] No terceiro filme da bem-sucedida série "Homem-Aranha", novos vilões e uma nova mulher cruzam o caminho de Peter Parker. Com seu segredo agora revelado a Mary Jane e Harry Osborne, Peter precisa enfrentar as conseqüências de seus atos e seu relacionamento com Mary Jane, que trouxe alguns resultados inesperados para o casal, como o chefe de Peter determinado a tornar sua vida um inferno por causar problemas emocionais ao seu filho. Para piorar, um jovem repórter investigativo chamado Eddie Brock é contratado por Jameson para descobrir porque Mary Jane trocou seu filho por Peter - qual é o segredo dele, afinal? Ao mesmo tempo, um fugitivo da polícia escondido numa praia remota é vítima de um acidente bizarro e torna-se uma criatura de areia que pode mudar de forma. Ao investigar o caso, Peter entra em contato com dois importantes elementos que vão alterar sua vida. A primeira é a jovem Gwen Stacy, filha do novo chefe de polícia da cidade . A outra, uma substância negra encontrada no local do acidente que se funde com o uniforme de Peter, dando a ele novas habilidades. Entretanto, a situação fica ainda mais crítica quando Harry Osborne, determinado a vingar-se de Peter pela morte de seu pai, junta-se ao Homem-Areia para causar destruição, vestindo uma variação do uniforme do Duende Verde. No caos que se segue, vidas são perdidas - incluindo algumas próximas a Peter - enquanto a substância negra se desprende dele para formar uma nova entidade, se unindo a um distraído Eddie Brock, dando vida a uma criatura única e um inimigo que ele talvez não seja capaz de parar: Venom.
Após a explosão cinematográfica que foi o segundo filme da franquia, muito se subestimou o diretor Sam Raimi na produção do terceiro longa, sendo que fazer um espetáculo maior do que aquele era uma tarefa quase impossível...ainda bem que era “quase” impossível.
O filme em si, traz uma nova fonte de exclamação. Ainda contém as famosas cenas de ação e as lições do herói, mas o que se sobressai aqui, é o sentimentalismo pesado que se faz no filme inteiro. Peter Parke tem de se dividir entre o amor da sua vida, a tarefa de proteger Nova Yorque e ainda tentar recuperar uma amizade perdida. Com a sua difusão em Venon as coisas pioram, sendo que não apenas seu lado físico é afetado. Este terceiro filme da franquia, é o mais dramático de todos, o que ajudou a definir alguns padrões que já estavam meio duvidosos nas produções anteriores, como as atuações, por exemplo.
Antes da estréia, um dos pontos mais criticados pelos fans, foi a inclusão de três vilões no filme, o que poderia atrapalhar um pouco o roteiro. Felizmente, isso não acontece. Alvin Sargent, guia brilhantemente e faz dessa uma produção totalmente bem balanceada, com variações de características, que faz o filme ficar imperdível, com cada personagem tendo o seu devido valor na produção, nem mais, nem menos quanto merecia. Para quem gosta deste mundo cinematográfico, sabe que isto é uma tarefa bem difícil, principalmente se tratando de filmes sobre super-heróis.
Bom, as atuações foram uma das surpresas do longa. Tobey Maguire deve ser o mais aplaudido. Não é digno de prêmio algum -claro, não é para tanto-, mas neste filme, Maguire foi obrigado a elevar ao máximo seu talento de interpretação, logo que seu personagem sofre tantos altos e baixos. Peter Parker continua o nerd de sempre, mas as variações para nerd deslumbrado e nerd esnobe – quase maléfico-, saem bem eficientes. O ponto alto é a parte do “nerd maquiavélico”, quando Parker já absorveu a substância negra e começa a adotar trejeitos obscuros. Ao mesmo tempo que divertido, este trejeitos possuem o toque de emotividade (aliás até adotado no visual bem “emo” do ator, rs), o que precisou de uma atuação bem competente, e Toby o fez. Ainda na pele da simpática M.J., Kirsten Dusnt também alcança um patamar mais alto do que nas produções anteriores, e o pior, que talvez ela faça isso por puro acidente. Mary Jane se encontra em uma posição muito difícil na vida, quando seu sonho vai por água abaixo e nem o apoio de seu namorado – que aliás, faz muito mais sucesso do que ela, como homem aranha, o que já causa uma frustração-, ela tem. Dusnt parece ter adotado o que a personagem tem de essencial: a frustração na vida. M.J. ainda guarda mágoas de seu passado ruim e não esta se sentindo bem nessa nova etapa da vida, o que precisaria de um forte apelo emocional, que é preenchido com eficácia pela atriz. James Franco continua o de sempre, não surpreendendo. Se o ator quisesse, podia ser o melhor do filme, mas não é o que acontece. Apesar dele não fazer feio, fica apenas como um ator comum do elenco, mesmo sendo seu personagem de uma importância enorme no filme.
Esta produção é recheado de coadjuvantes, que de forma alguma merecem críticas severas, pois foram bem felizes em seus papéis. Destaque para Bryce Dallas H., no papel da carismática e fundamental Gwen Stacy e o jovem Topher Grace, como o fotógrafo Eddie, rival do Parker no jornal e mais tarde alter-ego do Venon. Além ,é claro, do veterano ator - tanto na série, como no cinema-, J.K. Simmons, que rouba as cenas em que aparece como o excêntrico dono do jornal, Sr. Jameson.
Do maior orçamento da história do cinema (US$250), foi usado cada centavo, sem dúvida. Os efeitos especiais são de tirar o fôlego de qualquer um. Sam Raimi dá um show junto ao seu irmão nesta super produção. A maravilhosa parte que mostra quando todos os vilões e o homem-aranha estão na mesma cena, é algo incrível, não se sabe para onde olhar. É com segurança que falo, que esta talvez tenha sido uma das mais fascinantes utilizações de recursos computadorizados em uma produção de cinema.
Aos fans que pensavam que a saga do aranha termina com esta trilogia, estão muito enganados. Apesar de no final parecer isso mesmo, quem é fã dos quadrinhos vai encontrar algumas brechas no roteiro que dão margem à continuações, já anuncidas pela equipe... ainda bem.
Homem Aranha 3 não é apenas um filme de ação. Todos os sentimentos são envolventes. Sam Raimi se consagra como um dos melhores diretores do gênero na história de Hollywood. O roteiro peca no que condiz a adaptação dos quadrinhos à tela, e para os fans deste HQ da Marvel é um erro quase imperdoável. Uma dica: Não espere de modo algum chegar em dvd. Quando for ao cinema, não perca tempo comprando pipocas e refrigerantes, pois acreditem, não terão tempo de comer.
Nota: 9.7