Nesta última semana, dois acontecimentos foram realmente importantes para compararmos situações que nos diferenciam de países do primeiro mundo.
A primeira, é a reviravolta na vida da socialite e herdeira do império de hotéis Hilton, Paris Hilton. Após ser flagrada dirigindo bêbada e desrespeitar as autoridades, a patricinha foi condenada à 45 dias de prisão em regime de carceragem. Antes da prisão, o Juiz que está cuidando do caso de Paris, havia lhe concedido uma diminuição da pena, visto bom comportamento da moça. Assim, Paris teria de passar apenas 23 dias na prisão. No quinto dia de reclusão, a herdeira recebeu do xerife uma revogação de sentença, licenciando-a à prisão domiciliar, por apresentar um quadro clínico de “colapso nervoso”. Ao saber da decisão do xerife, o juiz Michael Sauer, determinou imediatamente a volta de Paris à prisão, sem direito à redução concedida antes.
Enquanto isso, no Brasil, algumas CPI´s que investigavam casos de corrupção, ainda da época do Mensalão, são encerradas por “falta de provas”. Além disso, quem não se lembra do Juiz Lalau, que no momento, curte uma prisão domiciliar, sob alegação de problemas médicos. Infelizmente ele não foi o único não. A citação do Lalau deve-se ao fato da relevância que teve seu caso na época, movimentando inclusive autoridades internacionais. Decerto que nestes últimos meses, a Policia Federal vêm fazendo um excelente trabalho na captura de bandidos de colarinhos brancos, mas o que adianta prende-los e não mantê-los preso. É só surgir um simples mal-estar (o que deveria ser considerado normal, visto que é uma prisão...), que brechas na justiça começam a aparecer, dando prisão domiciliar (liberdade?) à esse tipo de gente.
Saindo um pouco da comparação com os EUA, vamos à Europa, mais precisamente para a Alemanha, onde diversos manifestantes queimaram bandeiras, vestiram mascaras, colocaram estátuas nas ruas, fizeram passeatas nus e no auge dos protestos, entraram em confronto com a polícia local. No entanto, não graves feridos e a cidade de Rostock, foi mantida impecável, sendo que um dos motivos do protesto, era a vergonhosa demora dos líderes do G8 (os 7 países mais industrializados do mundo mais a Rússia) ao tratar de um assunto tão sério como é o Aquecimento Global.
Enquanto isso, aqui no Brasil, por volta de 200 pessoas invadiram a Av. Paulista para também protestar contra o G8. Mas o que aconteceu não foi nada pacífico: lojas foram apedrejadas, jovens precisaram ser levados ao hospital – devido ao confronto armado com a polícia-, e apreensões de armas e drogas foram feitas após o tumulto. Boa parte das 200 pessoas eram punks que lideravam um movimento contra o capitalismo.
Não haveria problema nenhum este movimento acontecer em plena reunião do G8, ao contrário, poderia ser muito satisfatório no alerta aos graves problemas que não só assolam ao mundo, mas nosso país também. O erro está na forma como foram feitos os protestos. Destruir lojas do McDonalds entre outras que simbolizam o capitalismo, se tornou algo tão contínuo que não produz efeito nenhum. É como chamar Bush de hipócrita. Bem disse o cronista Arnaldo Jabour, ao referir aos punks que comandaram este protesto na Paulista de “crianças ignorantes”. O pior é que a avenida ficou um lixo só após este protesto, contrastando com o real motivo que foi a realização dessa manifestação.
Queremos tanto ser considerados país de primeiro mundo, mas no entanto, não fazemos por onde. Estado fraco, país sem lei para ricos, protestos falhos e sem respeito. São atitudes simples de se mudar, mas parecem estar cravadas no sangue misturado de nosso povo.