segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Os 10 melhores álbuns de 2012
sábado, 9 de abril de 2011
The National - Rio de Janeiro (Circo Voador, 08 de abril de 2011)

O atraso quase se tornou irritante, talvez insuportável, mas não negativamente e sim pela euforia visível no âmago de cada fã que lotava o Circo Voador, no Rio de Janeiro, na naquela noite de sexta. Sim, fãs, responsáveis por trazer os americanos por meio do incrível projeto QUEREMOS e que muito tem salvado admiradores e consumidores de um som de qualidade.
Assim que as luzes púrpuras se acenderam e o timbre refinado de Matt Berninger cantaram as primeiras palavras de Runaway, o atraso foi esquecido, e deste momento em diante, seria apenas momentos glamourosos de trocas de elogios entre banda e público.
Em um show feito por fans, a banda – tendo como porta-voz o frontman – não cansava de agradecer, em português, aos ali presentes, chegando ao ponto de nos dizer que estavam “sentindo falta de momentos como aquele” além de ressaltar ser um dos melhores shows feitos na carreira do The National.
Entre uma queda doída do vocalista, erro engraçado de letra e esquecimento de acordes do guitarrista, fizeram um show catártico. Momentos sublimes eram entoados música a música em uma coesão banda/público divina. No repertório, em sua maioria, músicas do fabuloso último álbum, High Violet, e de seu anterior, The Boxer. Além de duas faixas “extras” pedidas pelo público e atendidas pela banda.
Visivelmente Matt Berninger e banda ficaram satisfeitos por terem feito um dos melhores concertos de suas vidas. No final apoteótico, assim como em São Paulo, se deu com amplificadores e microfones desligados e quase à capela, público e banda cantam o hino “Vanderlylle Crybabe Geeks”, fazendo com que lágrimas voem e aplausos se misturem a gritos que duraram bons minutos, em agradecimento a um show inesquecível e único.
SETLIST:
Runaway
Anyone's Ghost
Mistaken For Strangers
Bloodbuzz Ohio
Slow Show
Squalor Victoria
Afraid Of Everyone
Conversation 16
All The Wine
Abel
Sorrow
Apartment Story
Lemonworld
Green Gloves
England
Fake Empire
Encore:
Brainy***
Lucky You
Mr. November
Terrible Love
Vanderlyle Crybaby Geeks (acoustic)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Apostas Oscar 2011
- “A rede social”
- “O discurso do rei” [VENCEU]
- “Cisne negro”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “Toy Story 3”
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”
Melhor diretor:
- David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei” [VENCEU]
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”
Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
- Colin Firth – “O discurso do rei” [VENCEU]
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”
Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
- Natalie Portman – “Cisne negro” [VENCEU]
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”
Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
- Christian Bale – “O vencedor” [VENCEU]
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"
Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
- Melissa Leo – “O vencedor” [VENCEU]
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”
Melhor roteiro original:
- “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei” [VENCEU]
- "Another year"
Melhor roteiro adaptado:
- “A rede social” [VENCEU]
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"
Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
- "Toy Story 3" [VENCEU]
Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas" [VENCEU]
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem" [VENCEU]
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"
Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas" [VENCEU]
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"
Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
- "Inside job" [VENCEU]
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"
Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
- "Poster girl"
- "Strangers no more" [VENCEU]
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"
Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
- "A rede social"[VENCEU]
Melhor filme de língua estrangeira
- "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca) [VENCEU]
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)
Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" - John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross [VENCEU]
Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
- "We belong together", de "Toy Story 3" [VENCEU]
Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
- "God of love" [VENCEU]
- "Na wewe"
- "Wish 143"
Melhor curta-metragem de animação
- "Day & night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing" [VENCEU]
- "Madagascar, carnet de voyage"
Melhor edição de som
- "A origem" [VENCEU]
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"
Melhor mixagem de som
- "A origem" [VENCEU]
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"
Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
- "A origem" [VENCEU]
- "O Homem de Ferro 2"
Melhor maquiagem
- "Minha versão para o amor"
- "Caminho da liberdade"
- "O lobisomem" [VENCEU]
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Aplausos eternos!

Sonhos para Vestir
É única a dança que Sara Antunes faz com as palavras. A sensata delicadeza, já irresistível em outros trabalhos da atriz/dramaturga, aqui toma força por causa da emoção do tema. Toques extremamente pessoais homenageiam a figura de quem parece ter sido um grande homem, seu pai. Sara é a guia desta peça sublime, contagiante e interativa. Aqui você permeia durante todo o espetáculo, volta na infância, ri de si próprio, reflete sobre seu lugar no mundo. É um aconchego filosófico gracioso. A direção de Vera Holtz faz com que o texto não se perca e rume em direção a um desfecho onde o cenário da artista plástica Analu Prestes faz toda a diferença. Aqui nasce uma diva da arte, sorte de quem a acompanha.
Casa de Cultura Laura Alvin.
Até 28 de março de 2011.
Quintas e Sextas: 21h

Teatro Poeira.
Até 27 de fevereiro de 2011.
Qui./Sex./Sab.: 21h – Dom. 18h
Enrique Diaz já é uma marca no teatro nacional e internacional. Dono do melhor espetáculo da década (Ensaio.Hamlet – revista BRAVO), a sua direção metalingüística é reconhecida em todo o mundo. Em uma de suas mais incisivas e bem construídas montagens, coloca Fernando Eiras e Emílio de Mello duelando em um verdadeiro curso intensivo de teatro. Interpretando mais de dez personagens em três planos dramáticos, os atores lidam com perdas e angústias superadas pela paixão pela arte. É um metateatro magistral, com uma luz divina que faz com que nossa cabeça entre em ferveção total tentando acompanhar um texto rico e interpretado grandiosamente por dois grandes da cena teatral. Vencedora de dezenas de prêmios, a peça fala por si só. Obrigatória para amantes da arte.
Teatro Maria Clara Machado.
Até 27 de março de 2011.
Qui./Sex/Sáb.: 21h – Dom.: 20h
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Cisne Negro (Black Swan – 2010)

Conhecendo a filmografia de Darren Aronofsky, nota-se que sua paixão pela obsessão, seja ela pelas drogas (Requiém Para um Sonho), pela razão (π) ou mesmo pelo amor (Fonte da Vida), é o calor propulsor para jornadas homéricas e objetivas em busca de um lugar comum entre o desejo e a satisfação. Em Cisne Negro o agente propulsor é o mesmo, aqui enquadrado na perfeição. Aronofsky, em sua própria fixação, cria a sua verdadeira fera, perdida entre a delicadeza e a beleza de um meio onde ser impecável já não basta, e a ousadia se torna a grande chave para o sucesso.
A fera chama-se Nina, interpretada gloriosamente pela israelense Natalie Portman, que constrói uma bailarina correta e exigente consigo mesma. A perfeição e a exatidão são irrefutáveis. Seus gestos são delicados, certeiros, líricos, assim como devem ser os de uma bailarina. Nina, então, ganha o que parece ser um sonho: o duplo papel do cisne branco e negro em uma nova adaptação de “O Lago dos Cisnes” – Tchaikovsky.
Nina é uma exímia bailarina para interpretar o Cisne Branco. Suave como deve ser uma dama, correta na dança, delicada e sutil no sorriso. Entretanto, o papel é duplo, e a bailarina precisa encontrar em si mesmo a convicção certeira do despudor, da maldade irônica de uma verdadeira cisne negra. A desfragmentação psicológica vivida pela personagem em busca desta característica que falta, é crescente e cruel. Com a chegada da novata Lily (Mila Kunis), as coisas só pioram, já que a ousadia e a rebeldia – além do talento – são os sobrenomes desta garota, uma visível cisne negra. Com isso, o desespero emerge em Nina e a possessão por conseguir a perfeição do personagem torna tudo extremamente drástico.
Aronofsky é capaz de sugar os mais puros sentimentos, sejam eles bons ou ruins de seus personagens, sempre muito bem aproveitados. Em Cisne Negro, Natalie é rodeada por estrelas que brilham a cada cena. Seja com uma mãe (Barbara Hershey) que luta com a inveja e frustração de sua filha ser o que ela nunca pode ser. Ou de um talentoso diretor de artes (Vincent Cassel), que tenta, de todas as formas, injetar um pouco de desejo, de volúpia, de maldade na frígida Nina. Sem esquecer também da grata surpresa proporcionada pela personagem de Wynona Rider, Beth, uma bailarina de sucesso substituída pela idade e pelos excessos, responsável pelo esclarecimento de que não existe perfeição, apenas cobranças. Frisa-se também a excelente atuação de Mila Kunis, dona do personagem Lily, que em todos os momentos serve, grandiosamente, como respaldo adverso ao personagem de Portman. Lily protagoniza cenas surreais com uma química eloquente. Portman se apóia com força em Kunis, e isso é arrepiante e ao mesmo tempo delicioso de se ver.
A montagem arrebatadora de Andrew Weisblum faz com que nossos corações palpitem de acordo com o andamento do espetáculo O Lago dos Cisnes. Desde o encantador prólogo, com um jogo de câmeras que dança junto à uma Natalie honestíssima com o ballet, até a virada surreal para o ato dois, trabalhados aqui em comunhão a um Aronofsky totalmente ciente do que se passa com uma juventude transviada – ou não – deste atual século.
A fotografia e a sonoplastia surrealistas remetem à um David Lynch coeso, e são responsáveis pelas mazelas psíquicas da personagem, com seu psicológico afetado pela pressão e a vontade sedenta de ser grande.
Mais uma vez, o americano Darren Aronofsky expõe que obsessões não são garantias de sucesso. Com um final magistral, ele entrega que a perfeição é tão impossível de se conseguir quanto à vida eterna. Estudioso ávido destes novos seres-humanos, o diretor entrega outra obra-prima, assim como todas de sua filmografia. As dezenas de prêmios conquistados apenas reforçam a formação de outro clássico. Natalie está no papel de sua carreira. A atuação de Mila Kunis é a prova do surgimento de uma grande estrela. E Wynona Rider afirma que ainda pode brilhar muito. Estes pequenos detalhes fazem com que Cisne Negro feche com chave de ouro a era cinematográfica da última década. É aguardar e torcer para que a arte sempre prevaleça, e que possamos sempre contar com talentosos objetos, como este, um privilégio.
NOTA: 10,0
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Os 10 melhores álbuns de 2010

1º The Suburbs - Arcade Fire
Por um momento em 2010 o mundo parou para ouvir o aguardado terceiro álbum dos fabulosos canadenses do Arcade Fire. Donos de dois álbuns, considerados clássicos da última década, a opera band movimentou a internet durante umas boas semanas. E o resultado não poderia ser outro: mais uma genialidade. A banda entrega um álbum conceitual, sobre as mazelas e a felicidade obrigatória de um subúrbio. Como em uma novela, contos/poemas narram trajetórias, tudo isso sob um instrumental arrepiante, incrível como sempre. O Arcade Fire evidencia um som mais maduro, mais pesado, com todos os elementos que os colocaram como preferidos de público e crítica. Difícil escolher, dentre tantas, as melhores faixas. Temos em “Ready to Start” a sabedoria da construção de um excelente indie rock song. Em “Rococo” um hino crescente e doloroso, guiado por um Win Butler extremamente consciente e seguro de si. Em “Sprawl (Flatland)”, Butler chora um doloroso poema que será seguido por uma explosão psicodélica. Logo, quase fechando, somos presenteados com a melhor faixa do ano, “Sprawl II (Mountains Beyond the Mountains)” uma canção delirante, lisérgica, que visita e homenageia um passado setentista, dando um sentido maior à construção desta canção regida com maestria por Régine Chassagne. Por isso, hoje, os canadenses do Arcade Fire são os maiores do mundo. Se vão arcar com as conseqüências disso, só o tempo dirá, o importante agora é desfrutar da grandiosidade desta discografia impressionante.
2.My Beautiful Dark Twisted Fantasy - Kanye West
Infelizmente Kanye West, novamente, fez um dos melhores álbuns do ano. Digo infelizmente porque West é um dos maiores canastrões que o mundo da música já teve o desprazer de conhecer. Rancores à parte, falar do egocentrismo exagerado de Kanye é redundância já, mas falar de sua genialidade também anda sendo. Os últimos três álbuns do rapper não possuem outro elogio a não ser excelente. Nada abaixo disso. Sempre se reinventando, aqui, West visita diversos ritmos e os incorpora no seu rap àcido, semelhante à sua verdadeira pessoa. Reggae, eletro, R&B, new pop, rock progressive são auras musicais rodeadas pelo rap, narrando e jorrando palavras sobre assuntos indeterminados como AIDS, fama, Prada, política americana e, é claro, seu ego inflado. Em seu auge egocêntrico ele manda “se Deus tivesse um Ipod, eu estaria em seu playlist”. Kanye West possivelmente produziu o melhor álbum de sua carreira até agora, é um odiado que temos que amar e respeitar. A criatividade e a coesão são características irrefutáveis de seus trabalhos. Prata na lista, e infelizmente, merecidamente.

3.Hidden - These New Puritans
Raramente, mas as vezes, ser rebuscado é agradável. Os ingleses do These New Puritans, apesar da pouca idade, sofreram algumas injustas acusações, como “pseudo-intelectuais pós-punk”, dentre outras do tipo. Não é um som acessível, nem um pouco, mas a propriedade intelectual do grupo é enorme e muito visível. Em Hidden isso fica evidente. As soturnas canções expõe uma banda preocupada com o mínimo detalhe, maduros apesar da pouca idade, e com um conhecimento acerca de instrumentos, música erudita e eletrônica gigantescos. As construções são quase perfeitas. Sujas, mas com uma delicadeza impressionante. O pós punk é mesmo presente em todo o disco, e o desespero juvenil também. Daqui extraímos verdadeiras obras-primas como “Attack Music” e “We Want War”, um verdadeiro hino clamando guerra contra a guerra. Hidden é uma descoberta primorosa sobre a união do orgânico, do eletrônico e do erudito. Um tapa na cara aos que subestimaram estes garotos ingleses que apenas estão começando.

4.High Violet - The National
O histórico dos canadenses do The Nationals e recheado de acusações contra a sua solidez como grupo, no sentido de saber o que quer, objetividade. Em High Violet, enfim, encontram um meio termo. Indecisos sobre o alternativo e o mainstream, neste álbum o equilíbrio prevalece. Instrumentalmente quase conceitual, a magnífica voz de Matt Berninger rouba a cena durante todas as musicas, não desmerecendo o excelente trabalho dos instrumentistas. É um disco profundo, ao extremo, sobre amores e dores envolvidos pelo indie rock/blues e toques folk. Com hinos sentimentais grandiosos, a magnificência é nítida na primeira audição. Clássico!
5.This is Happening - LCD Soundsystem
James Murphy é um gênio. Começamos por aí. O cara à frente do LCD Sounsystem colocou o que pode ser a união musical perfeita do futuro com exatidão e entregou, em 2007, um dos melhores – se não o melhor – álbuns da década (Sound of Silver). Em 2010 anunciou o fim do LCD, e como despedida This is Happening veio como uma bofetada. Como se não bastasse a ligação harmonicamente perfeita entre a música eletrônica e o rock, Murphy visita outros elementos musicais orgânicos e eletrônicos. O progressive e o blues aparecem como influências nítidas. As letras são pura ironias, sejam elas rindo de garotas bêbadas ou comentando sobre os abusos de gravadoras. Caso seja mesmo o fim, o LCD Soundsystem construiu um legado primoroso na música, e fará falta. Torcer para que o mestre inquieto, James Maurphy, nos surpreenda em breve com alguma ousadia capaz de balançar nosso mundo, novamente.
6.Becoming a Jackal - Villagers
Os irlandeses do Villagers caso resolvessem seguir à emotividade exaltada, oriunda da música de seu país, seriam apenas mais um cubo de gelo meio a uma geleira. Fugindo disso, Connor O’Brian – e banda - adota um folk ensolarado em sua estréia, Becoming a Jackal, visitam rock stars como Doves, Coldplay e Silverchair e constroem um coeso e significativo álbum. Apesar do trabalho técnico e instrumental caloroso, contrastando com sua origem, as letras não o negam. A emoção subliminar se mistura à uma sombria e soturna onda de mistérios, sobre relacionamentos e vida pessoal. A maioria das músicas é dividida em atos, crescentes, que funcionam como explosões em ouvidos atentos a este álbum redondo, e o toque do folclore irlandês nos instrumentos como orgãos, codas finas e piano, fazem deste um disco excepcional e único, para se ter guardado e lembrado para sempre.
7.I Learned The Hard Way - Sharon Jones & The Dap Kings
Sharon Jones já conseguiu um pedacinho da fama na década de 70, mas foi esquecida. Para sustentar o que sempre amou - cantar - trabalhou como carcereira e segurança. Em 2010, o grupo The Dap Kings (grupo que acompanha Amy Winehouse) a convida para gravar um álbum. A junção da forte, estridente e incrível voz de Jones junto ao profissionalismo e experiência do funk do The Dap Kings faz deste uma das melhores parcerias surgidas nos últimos tempos, do tipo a fazer a senhora Winehouse pedir desculpas eternas à esta grande e verdadeira diva. É um álbum sessentista feito em 2010. Perdoa-se o som muito limpo, sem aqueles grandes abusos negros e incríveis. O resultado final é forte. Soul literal, cabal. Não há o que se discutir, só agradecer a volta de Sharon Jones.
8.Teen Dream - Beach House
Estranhamente fofo, o duo Beach House acerta em cheio ao adotar um som mais orgânico, mais cru e nítido do que seus trabalhos anteriores. A bela voz de Victoria Legrand flui como uma seda ao vento no instrumental vasto e competente dos outros integrantes. A bateria mais evidente também é um ponto super positivo. Inclassificável. Não é um cowntry indie acústico, nem um dream pop e muito menos um folk, apesar de navegar claramente por estes estilos. É um disco californiano, ensolarado, surfer, porém muito preciso. Para se ouvir nas mais deliciosas ocasiões.
9. Swim - Caribou
Daniel Snaith, o canadense por trás do Caribou, enfim acertou. Se antes insistia na viagem pela psicodelia rebuscada, em Swim encontrou um mar aberto e acessível a todos. Por aqui, adota-se uma coesão precisa, com canções muito mais eletrônicas do que orgânicas – acerto louvável deste instrumentista – sem perder a sua paixão pelo psicodelismo. O álbum é uma viagem, para muito longe. Faz com que flutuemos e acerta em ser eficaz tanto nos ipods como nas pistas. “Sun” talvez seja a melhor mostra disso. É redonda, perspicaz e até o fim transcende, porém mantendo corpos no chão. É a lei da gravidade brigando pela liberdade extrema.
10. A Thousand Suns - Linkin Park
Conscientemente, este álbum não figuraria entre os dez mais do ano. No entanto, acompanhando a trajetória desta banda, como verdadeiro fã, seria muito desleal não cometer esta afronta. Difulsores de um nu-metal mainstream, os Linkin Park alcançaram fama mundial com hits fáceis, inteligentes e pegajosos. Venderam milhões de discos, ganharam prêmios e hoje são uma das mais bem sucedidas bandas de rock da história. Com A Thousand Suns, a banda busca se reinventar sem perder o brilho e a marca de outrora. Ainda existem o bom rap do Mike Shinoda, a versatilidade vocal, de berros à agudos, de Chester Bennington continua roubando a cena, e agora, mais do que nunca, a investida em picapes eletrônicas se tornou crucial para a construção deste álbum. Os Linkin Park vagueiam pelo pop experimental, pelo hard rock, pelo nu-metal e fecham o disco com um acústico – erro. A maturidade é visível nos recursos usados, nas experimentações e nas letras bem escritas. Tristemente ainda é muito popular, comercial, mas mostra que no futuro pode vir um álbum histórico, profissional e inesquecível. Esta valendo a pena esperar.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
AS 50 MELHORES MÚSICAS DE 2010
1. Spraw II (Mountains Beyond Mountains) – Arcade Fire
Com The Suburbs o Arcade Fire conquistou de vez o mundo. Nesta música a banda visita o hippie indie da década de 70 e faz uma bela canção psicodélica, com teclados irrequietos e Régine Chassagne (foto) dando pitadas lisérgicas por meio de sua inconfundível voz em uma poesia surrealista feita por grandes poetas. Grandioso, imbatível: a melhor do ano!
2. Dogs Days are Over (2010 version) – Florence + The Machine
Florence Welch é uma das maiores intérpretes que o mundo teve o privilégio de conhecer. Este, já clássico, é apenas uma mostra disso. A montagem da música faz com que seu coração sofra palpitações. A letra é encorajadora. A voz de Florence é uma das mais potentes do atual pop. Quer mais? Junte a isso músicos brilhantes e transforme tudo em um show animado onde é impossível ficar parado. O mundo é melhor graças à esta música.
Cee Lo Green já conquistou seu espaço na história da música quando lançou, junto ao Danger Mouse e seu Gnarls Barkley a clássica Crazy. Não se contentando, faz com que Fuck You se torne uma das melhores faixas do ano e uma das melhores lançadas nos últimos tempos. Em seus quase quatro minutos, o músico joga na cara do mundo que a música negra americana de raiz é a melhor e ainda existe. Já um clássico do R&B.
4. Afraid of Everyone – The National
Responsáveis por um dos melhores álbuns da década, o The National toca corações amendrontados e dá força para seguir em frente neste épico adocicado pelo timbre maravilhoso e inconfundível de Matt Berninger, sem dúvida um dos melhores vocalistas desta geração.
5. Stylo – Gorillaz feat. Mos Def and Bobby Womack
Os ótimos Gorillaz voltam com este single surpreendente, mixto, onde o R&B se encontra com o soul e a música eletrônica de forma exata, que transformam esta em uma das melhores faixas do ano.
6. Attack Music – These New Puritans
Os britânicos do These New Puritans alvoroçaram o mercado com o lançamento de Hidden, um difícil álbum conceitual feito por verdadeiros músicos, conhecedores da arte e dominadores de uma instrumentaria arrepiante. Aqui proclamam guerra à guerra, e fazem desse um hino para se sentir na alma. Uma obra-prima!
Os canadenses do Caribou trouxeram uma atmosfera eletrônica superior à encontrada por aí. Com ares de balada indie psicodélica, usa-se elementos simples de lo-fi, repetições suaves a lá Air e um primoroso mash-up que faz com que deixemos no repeat horas a fio. Sinta nos ouvidos o nascer do sol...
Uma das mais gratas surpresas do ano, o Yeasayer surpreende com originalismo na sua busca por novas instrumentações. Ambling Alp reúne o que há de mais diferente em percussão (são duas usadas) e elementos caribenhos para fazer deste seu single de estréia. Pretensioso, diferente e poderoso.
9. Invisible Lights – Sissor Sisters
Fugindo da classificação de pop-gay, os Sissor Sisters buscam inovar seu som personificando com uma homenagem à década da Dance Music. Em vão, ainda bem. Invisible Lights é o supra-sumo do ótimo Night Work. Sintetizadores gritando uma construção perfeita de uma verdadeira old dance music com uma pitada gay, porque não?, desta ótima banda.
10. Power – Kanye West feat. Dwele
West é o maior gênio do rap na atualidade, e ele sabe disso. Aqui abusa do seu egocentrismo e exagera nos versos. “Estou vivendo no século 21. / Fazendo algo significativo. / Faço melhor que qualquer um que você já tenha visto”. Dwelle empresta seu poderio africano e torna este um belo “foda-se” aos que ainda tentam criticá-lo. Um genial babaca!
11. Little Lou, Ugly Jack, Prophet John – Belle & Sebastian feat. Norah Jones
Aqui os Belle & Sebastian prestam uma honrosa e emocionada homenagem aos seus ídolos: Lou Reed, Jack Kerouac e John Lennon. Norah Jones empresta sua suave voz e é responsável pelos ares épicos desta que é uma das mais belas canções da carreira da banda.
Em Stridulum II Zola Jesus chega à perfeição. Sua voz aguda e suave e suas melodias góticas e inteligentes fazem com que Amy Lee olhe para trás e chore com o Evanescence. Sem comparações, Zola é única e veio para ficar. Lightsick fecha o álbum com uma dor irrefutável, uma bela tristeza que se torna clássica.
13. The Catalyst – Linkin Park
A luta do Linkin Park com o mainstream trouxe um belo resultado este ano: o pretencioso A Thousand Suns. Neste primeiro single, a banda investe pesado em um techno sujo, em uma letra libertadora e em um arranjo grandioso que ecoará em todos os estádios do mundo. Comercial ou não é uma das melhores faixas do ano, e isso é cabal. Chester Bennington mostra uma versatilidade ínfima com seu vocal privilegiado e faz deste um dos principais hinos da banda.
14. Everybody Hurts (2010 version from Haiti) – Various Artists
Simon Cowell preferiu não tocar no que é sagrado, assim deixou We are The World para outro e escolheu Everybody Hurts, do REM, para produzir em prol do Haiti. Divas como Mariah Carey, Leona Lewis e Kylie Minogue se unem à ícones masculinos como Rod Stewart, Mika e o Westlife (entre outros) e soltam o vozeirão por cima de uma das letras mais tristes já escritas. O resultado final é grandioso. Feito com maior simplicidade, a dramaticidade e a emoção se tornam mais evidentes junto às imagens de um clipe severo.
Após um pequeno período de perda intelectual do mestre Chris Cornell (Scream?), eis que o eterno vocalista volta ao Soundgardem para alguns shows e para lançar outra coletânea, intitulada Telephantasm. O A-sides é de longe melhor, mas nesta temos a grata surpresa: a inédita Black Rain. A canção não é nova – datada de 1994 -, mas mostra o quão potente era a voz de Cornell e quanto o grunge melódico, original e único do Soundgarden faz falta.
16. Its My Party – Amy Winehouse
Original de Leslie Gore, esta canção foi produzida por Mark Ronson para entrar no próximo álbum de Quincy Jones. Amy coloca sua marca neste clássico e faz com que sua desenvoltura inconfundível transforme esta em uma canção obrigatória de seu repertório.
17. We are the World (2010 version from Haiti) – Various Artists
Há canções que são intocáveis, e esta é uma delas. Clássico do Lionel Richie e do mestre Michael Jackson, 25 anos depois é novamente produzida por Quincy Jones em prol da tragédia acometida no Haiti, em janeiro de 2010. Ouvir vozes de verdadeiros novos artistas como Josh Groban e Jennifer Hudson, junto há centenas de outros grandes e novos atuais astros da música, faz com que perdoemos este pecado. O resultado final ficou estratosférico. Lindo e emocionante. O uso da voz de Michael, transviada da primeira versão e o final arrematador do rapper haitiano Wyclef Jean confirmam que este é o maior hino já feito em prol da humanidade. Impossível não se comover. Faz até o equívoco medíocre chamado Justin Bieber ser relevante.
18. Feeling Good – Faithless feat. Dido
Em 2010 o Faithless convidou todos à dançar com seu novo álbum. Feeling Good não só é uma das melhores músicas do ano, como é uma das melhores da carreira do Faithless. Dido é a cereja do bolo na música e transforma tudo em uma gostosura que arrepia. Rollo Armstrong sai da mermice de suas participações nos vocais do Faithless e funciona aqui como uma quebra à sutileza da Dido. As potentes picapes de Sister Bliss transformam tudo na melhor faixa de house music do ano.
19. Tightrope – Janelle Mónae feat. Big Boi
A incrível Janelle Mónae e seu ArchAndroid chegaram para sacudir a música. Aqui, ela brinca, faz e acontece com sua voz e junto ao Big Boi, põe o R&B abaixo e constroem um som como há muito não se ouvia. Que Mónae venha para ficar e se fixar de vez como a próxima James Brown.
20. Me and the Moon – The Drums
O The Drums movimentou a indústria fonográfica lançando músicas avulsas que brincavam com a sonoridade pure rock oitentista. David Bowie e o The Cure são visíveis inspirações. A nostálgica Me and the Moon já se torna obrigatória. Faz bater saudades!
21. Drunk Girls – LCD Soundsystem
Imperdível em pistas de dança alternativa, Drunk Girls une tudo o que resume a genialidade de James Murphy. É poderosa, torna o rock e a música eletrônica amigas de infância e não deixa ninguém parado. Ainda por cima possui uma ótima letra e um clipe original. Murphy é o cara da década!
22. SING – My Chemical Romance
O My Chemical Romance foi uma das maiores decepções do ano. Após quatro anos do lançamento do clássico The Black Parade, se perdem no fraco Danger Days The True Lives Of The Fabulous Killjoys. Aqui temos uma das salvações do álbum. Um belo hino contra repressão pessoal, ótima para ser gritada em um grande estágio, do jeito certo, assim como Gerard Way o faz com grandeza.
23. Next Girl – The Black Keys
A inconfundível junção hard blues guitarra + bateria da dupla do The Black Keys rendeu um dos melhores álbuns do ano, novamente. Cada vez mais sujos e despretensiosos, os talentosos músicos se consagram como um dos melhores compositores da atualidade.
24. All the Lovers – Kylie Minogue
Uma das melhores músicas do ano vem acompanhada com um dos mais belos clipes. Minogue volta a reinar sensualizando como nunca nesta single em que chama todos seus fãs (gays?) para se amarem – em conjunto.
25. Les Eaux de Mars – Stacey Kent
Uma das mais belas e doces vozes do atual jazz, Stacey Kent presta sua homenagem à Tom Jobin nesta versão francesa de Águas de Março. Degustante!
26. Snow – The Chemical Brothers
É com essa música que o Chemical Brothers abre o ótimo Further, e é com ela também que a dupla quebra paradigmas de sua própria carreira. Com um som mais acessível – e nem por isso inferior -, adotam vozes e elementos simples, tornando este um hit com cara de balada, som crescente, um chamariz para o que há de vir. A noite é uma criança para o Chemical Brothers.
27. Ship of Promises – Villagers
Os caras do Villagers narram uma aventura surreal neste single onde a precisão instrumental é ditada a rigor. Bateria e baixo brigam por um lugar ao sol até explodirem e darem lugar ao piano e às cordas no segundo ato desta brilhante música.
A Dj e produtora Robyn se tornou a queridinha no meio pela inteligência no uso do pop eletrônico acessível em suas composições. Dancing on My Own mostra o quanto inquieta, sombria e mesmo assim dançante pode ser esta producer. Multi camadas de eletro recheiam este incrível som que prova que, às vezes, experimentações falham e o que é bom mesmo é o velho e puro pop.
Matthew Dear é o DJ queridinho do público norte-americano. Em 2010 ele lança o conceitual Black City e com isso agrada críticos que o enxergavam apenas como um DJ de grandes dance clubs. Slowdance é um coeso lo-fi que funciona em pistas. Todos os ingredientes funcionam e Dear alcança o seu objetivo: fazer um som que transita entre as pistas de dança e os ipods da galera com maestria.
30. Year of Silence – Crystal Castles
O Crystal Castle amadureceu e transformou todo a gritaria e as distorções de seu último álbum em gritarias e distorções coesas. O eletrônico é muito mais evidente e escutável. Ainda não de fácil acesso, e quem disse que precisa ser? É sombrio, confuso, lisérgico. Year of Silence resume o que há de melhor neste álbum homônimo.
Quem é rei nunca perde sua majestade, por isso Neil Young, com 65 anos, é o rei das guitarras sujas que fazem o coração palpitar a cada acorde. Em Hitchhicker ele abusa de seu blueseirismo e faz deste cowntry song um hard rock de primeira. Arrepiante!
Em Contra, a dupla do Vampire Weekend deixam a adolescência de lado e assumem o papel de gêniozinhos do indie. Com elementos da world music, pitadas caribenhas e africanas, montam uma confusão deliciosa de se ouvir. Indie puro e profissional. Cousins é o exemplo mais eficaz desta explosão jovem!
O Deerhunter se entrega ao comercial e tenta fazer com que o seu rebuscado som alcance à todos. O drama nas letras ainda está aqui, e a guitarra inconfundível também. Melodia quase suave porém inalcançável, mais atentamente perceberá que ela é mesmo inquietante, sofredora. Detalhes primordiais para se entender melhor esta banda de estranhos adoráveis.
34. What Happiness Means to Me – Amy Macdonald
A escocesa Amy Macdonald, dona de uma das músicas mais gostosas da década (This is the Life, 2005), volta em 2010 com um chato álbum chamado A Curious Thing. A acústica cowntry da última faixa, What Happiness Means to Me, coloca em foco a poderosa voz de Macdonald e faz mais de 9 minutos passarem despercebidos aos nossos ouvidos. Encerra e salva o disco.
35. How I Got Over – The Roots
Com tanto experimentalismo na música, o simples causa um estranho desconforto. Quando surge uma banda que pega elementos puros e os transformam em canções simples e grandiosas dá gosto de ouvir. O The Roots faz isso já há duas décadas e por isso merecem atenção especial. Elementos do puro Black music estão ali, sem invenções eletrônicas, apenas truques com o rap, com corais negros e a desenvoltura típica da negritude norte-americana. O final é um álbum com grandes canções. Essa é apenas uma mostra delas.
36. Only Girls (in the World) – Rihana
Rihana lançou dois álbuns em 2010. Uma audácia que já foi superada com esta música. A cantora visita à diva Madonna e lança uma batida puramente eletrônica com um refrão mega convidativo, fazendo desta uma música obrigatória nas pistas de dança durante muitos anos.
37. Love the Way You Lie – Eminem feat. Rihana
Com Recovery, Eminem volta aos topos das paradas. Com ótimas críticas e sucesso entre o público, foi um dos álbuns mais vendidos do ano. Muito por conta desta forte balada, sobre violência nos relacionamentos. Rihana traz sua história pessoal à música (Chris Brown?) e funciona como dosadora da raiva eminente de Eminem.
Os rapazes do The Walkman fazem um surf music que foge da proposta de buscar o passado. Visitando elementos cowntries, reggaes e de rock alternativo, montam um estruturado e coeso tipo de som. Alegre, sem ser efusivo. A bela voz do vocalista (!!!) transforma este que poderia ser uma simples canção sobre perdas e ganhos, em uma atmosfera estridente nos ouvidos mais atentos. Magnificente como nunca!
Críticas a parte, o Hot Chip brilha mesmo quando faz dançar, como nesta música aqui. A banda é inteligente em adotar elementos adversos que contrapõe a delicada voz de Joe Goddard, que brilha em performances cada vez mais descontraídas.
Os britânicos do Foals são reconhecidos por fazer um som exato, inteligente. Cada acorde é pensado, cada batida é linear. Em Black Gold eles abusam do surf reggae e entregam uma faixa que cresce rumo ao grandioso. Nostálgica, porém atual e incrível!
41. Shameless – Bryan Ferry feat. Groove Armada
O produtor Bryan Ferry foi uma das boas surpresas do ano junto ao seu Olympia. Buscando novos rumos e visitando espaços diferentes em cada música do álbum, aqui, junto ao Groove Armada, torna o eletrônico, ambiente, e deixa a batida fofa.
42. Baby Birch – Joanna Newson
A harpista Joanna Newson procura levar ao grande público as músicas rebuscadas que fazem parte de seu mundo, da forma mais simples o possível. Com ar bucólico e uma voz que de tão fina impressiona, aqui ela faz um acústico com tom medieval dolorido, e lindo.
43. Empire State of Mind (part II) – Alicia Keys
A versão soul desta música imortalizada por Keys e Jay-Z traz o mesmo grito épico saudoso à Nova York. O piano acompanha a bela voz de Alicia nesta linda homenagem à cidade que não dorme.
44. Paradise City – Slash feat. Fergie and Cypress Hill
O rei Slash lançou um álbum em 2010, e aqui ele revisita sua carreira no Guns e faz uma versão mais pesada de Paradise City. Fergie alcança os altos solos de Slash com perfeição e o Cypress Hill traz o tom da novidade à música.
45. Telephone – Lady Gaga feat. Beyoncé
Visando lucro, a nova diva do pop, Lady Gaga, lança seu único álbum remixado. A ótima surpresa é este single inédito em parceria com Beyoncé, que empresta toda sua negritude à música e rouba a cena. Presença indiscutível nas pistas, foi um dos grandes sucessos do ano. Gaga é uma das melhores coisas que surgiram na música nos últimos tempos. Uma grande divisora de águas.
46. Rocket States (M83 Remix) – Deftones
O Remix oficial feito pelo M83 junto à voz de Chico Moreno faz com que menos atentos confundam a música com algo do Depeche Mode. O remix é muito bem colocado e só cresce durante a música. A voz de Moreno funciona como o low das batidas precisas que ecoam e explodem em nossos ouvidos.
47. Together Again – Evanescence
Música feita e rejeitada para o filme Nárnia, traz o Evanescence repetindo a fórmula que agradou o mundo: os ecos de coro gótico-gospel estão lá, a letra sofrida e depressiva, o piano agudo de Amy Lee também. Mas não há como se deleitar com uma das melhores e mais lindas vozes da história do rock.
48. I Want to Know What Love is – Mariah Carey
Mariah faz a sua versão da bela balada oitentista original dos britânicos do Foreigner. Não há como não prestar atenção aos agudos oitavos de Carey, que prova aos críticos que ainda pode atingi-los, em uma baladinha pequena no tempo e grandiosa no objetivo.
O Treats inova ao juntar a sujeira das guitarras com a intensidade de picapes eletrônicas e uma voz que de tão suave e fina causa reações adversas à música. Sleigh Bells é recheada de detalhes que nada tem a ver e funcionam perfeitamente. Não é fácil, requer audições cuidadosas, por isso mesmo cada audição é preciosa, desbravadora, e aos amantes de música, deliciosa.
50. Radioactive – Kings of Leon
O Kings of Leon se deslumbrou com o sucesso repentino do mainstream e lançou o chato e esquecível Come Around Sundown. Em Radioactive abusa de uma guitarra visceral que entra em contrapartida com a bela rouquidão do vocalista Calleb Followill. É a banda bebendo na fonte de suas origens.









