quarta-feira, 25 de junho de 2008

O avanço que atrasa.

Há um mês, jornais e revistas – além é claro da TV -, noticia a novela do casal de sargentos gays que estão sendo punidos devido algumas causas ao qual, segundo o exército brasileiro, entram em desacordo com as ordens do sistema das Forças Armadas do Brasil. Se não me engano, há uma acusação grave de deserção, o que culminaria em prisão, como previsto em lei e tudo o mais. Entretanto, pelo o que parece, o exercito esta aumentando a penalidade pelo simples fato do casal de sargentos terem assumido a sua homossexualidade em público, com entrevistas e tudo o mais.

Acredito que não. Já acompanho este caso há um certo tempo, e está parecidíssimo com uma novela, em que as vítimas são o dois sargentos e o bandido é o exercito brasileiro.

Sinceramente, pelo o que me consta, assumir o caso de ambos parece um ponto de escape pela punição que já estava por vir antes de todo o acontecido. E como a imprensa é total maleável, usa-la para colocar bandidos e mocinhos em uma história real é um negócio em tanto.

As pessoas, antes de julgar, devem ter noção de que antes de tudo, eles são sargentos, pessoas que sabem quais são as regras de um quartel e quais são as punições por quebra-las. Se realmente o júri estiver pegando pesado devido ao perconceito, é lógico que deve ser apurado com rigor e punido, porque isso seria vergonhoso. Agora usar da imprensa, da ilusão da população e de comunidades GLSs do Brasil para promover e tentar se livrar de um culpa que possui castigo, acho total vergonhoso.

Aplaudo ambos por terem se assumidos. Os brasileiros já passaram da hora de encarar os homossexuais com normalidade. Apesar de não ser o que desejo discutir aqui, me recuso a discutir sobre qualquer forma de preconceito, ainda mais se tratando de homossexuais, que acho de pura ignorância alguem não os aceitar.

Finalizando, para mim é mais um foco da mídia, já que o caso da menina Isabella Nardoni já estava saturado. As falas se repetem a cada reportagem. Choros. Reclamações. Esperemos enquanto assistimos do camarote de nossas poltronas. Pipoca?


Dica do Post:

Como não andam lançando nada de fabuloso para que eu recomende à vocês, indico o filme da imagem deste post, chama Delicada Relação, que trata da história de dois soldados homossexuais que tem de conviver com a mentira, com as mortes e com a dor de amar sem ser abertamente no meio de uma guerra triste. Ouvi muitos dizerem o contrário, mas achei o filme de uma realidade surpreendente e uma história que emociona muito. O filme é israelense, então vocês já podem imaginar que alvoroço causou no lançamento e divulgação. Colocando nota > 9.0
Também indico-lhes um dos álbuns que com certeza estará entre meus 10+ do final no ano: Attack & Release, dos Black Keys. Utilizando de uma mistura entre o folk e o blues com apenas uma guitarra, uma voz e uma bateria, tornando-se um delicioso rock alternativo, a dupla investe na força das letras e nos presenteia com um álbum fenomenal. Aproveitem e meu destaque vai para a última faixa.> .5estrelasde5.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Elas.


Com o recente lançamento do novo álbum da Alanis Morissete (Flavors Of Entanglement), comprovou-se que as mulheres dominam o mercado musical com uma facilidade incrível. E em todos gêneros.

Esse ano demonstrou-se então uma abertura incrível às vozes femininas. Alicia Keys abriu o ano com um álbum fantástico (As I am), de volta às raízes do soul, tecendo uma voz suave em um repertório que beira ao fantástico.

Enquanto isso, logo depois, cai na internet o novíssimo álbum do Portishead, com Beth Gibbons arrebentando nos vocais e trazendo um sossego inquieto aos nossos ouvidos.

Na Inglaterra, uma inglesinha aos moldes Barbie, surge com um estrondoso trabalho e uma voz exclusiva: Amy Duffy coloca em Rockferry tudo aquilo que nós, amantes de músicas de qualidade, necessitamos ouvir nas paradas de sucesso sem torcer o nariz.

No campo indie, em 2008 fomos premiados com um dos álbuns mais fantásticos da Chan Marshall com sua Cat Power (Jukebox), além do ótimo Seventh Three do GoldFrapp.

Aqui no Brasil, Ana Carolina se firma como uma das maiores intérpretes com o lançamento do dvd 2Quartos, com composições arriscadas para as audições brasileiras, mas que por causa disso merece reconhecimento. E Adriana Calcanhoto lança ums dos melhores álbuns de sua carreira (se não for o melhor), intitulado Maré. Ainda há a revelaçãozinha (já gasta) Mallu Magalhães, que surpreendeu, mas já enjoou.

E agora mais para o final deste primeiro semestre de 08, tivemos material novo da Joans (Joan as Police Woman) – fantástico por sinal - e como já dito, o da Alanis. Nas rádios, Madonna, Mariah, Rihanna, Britney e Colbie Caillat dominam. Dizem que esse momento é tudo conseqüência do fabuloso Back to Black da Amy Winehouse.. pode ser, e agradeço muito por isso. Mas sempre nos renderemos a divindades femininas na área da música. Então que venham muito mais veludo e suavidade nas canções, porque o ano apenas chegou a metade.

Dica do Post:
O post é sobre Elas, mas ELE é praticamente uma diva..e o melhor, é brasileiro: Ney Matogrosso, responsável por um dos melhores álbuns brasileiros já lançados nos últimos tempos. O perfeito "Inclássificáveis" abre como a canção imortalizada por Cazuza 'O Tempo Não Para', sendo cantada por bufos de emoção nítidos a cada verso forte, já próprio da música. Aliás, emoção é a palavra chave deste disco. Ney coloca sentimento em todas as canções, e isso é irrefutável, o que beira ao impressionante. 'Mal Necessário', 'Coisas da Vida'
e 'Inclássificaveis' possui tanto sentimento que imaginamos situações em que a música se insiriria em nossas vidas. Por outro lado, há as políticas como 'Ode aos Ratos', 'Porque a Gente é Assim' e 'Mente, Mente' que se firmam pela ácidez misturada com a beleza, e com um toque de raiva. Enfim: espetacular do começo ao fim. E vivas aos paêtes do mestre Ney.
.5estrelasde5.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O dia em que uma humilhação fez muita falta.

Terminou hoje a palhaçada cretina iniciada na última segunda, quando o Sindicato dos Rodoviários decidiu iniciar uma greve egoísta, em que entre discussões e acertos, quem pagou o pato maior foi – para variar apenas um pouco neste país – o trabalhador brasileiro.

Como se já não bastasse o trabalhador ser obrigado a passar pela humilhação de desde a hora de ir trabalhar até a hora de voltar pegar um ônibus super lotado, uma greve imbecil como esta chega para atrapalhar a vida de todos.

Muitos podem estarem surpreendidos com tamanhos adjetivos negativos nos primeiros parágrafos de meu texto, mas ligar a TV e assistir pessoas chorando por causa da possível perda de seus empregos, de gente doente sem auxílio devido a falta de transporte, além de outras situações que pesam em nosso coração, faz com que a revolta como cidadão venha a galope. Deparamos nesses momentos com relatos significativos de pessoas que apenas desejam seguir com sua rotina de vida normal, o que é cruel ao meu ver.

Então questionamos: de quem é a culpa? Nesse caso, de todos envolvidos. Da empresa de transporte, pela falta de auxílio aos seus funcionários, e também do sindicato, que não tem a mínima noção de como uma atitude como parar 100% da frota pode prejudicar o capixaba. Foi de extrema arrogância e falta de senso absurda tal atitude.

Aproveito e denúncio que o transporte capixaba é caótico. Não em questão de horário, mas sim no quesito respeito. É inexplicável as lotações que há em certas linhas. É humilhante para nós passarmos o sufoco que passamos apenas pela simples ação de pegar um coletivo, algo que – em sua maioria – é feito por necessidade. Acho que a acomodação das autoridades em seus carros bons, tem feito mal a administração deste setor. Precisa-se de mais ônibus. Precisa-se de mais funcionários competentes. Precisa-se pensar no trabalhador!

Os impostos não param de aumentar, mas as melhorias mesmo não estão sendo vistas como deveriam.

Realmente torço para que um episódio imundo como este não aconteça por aqui, e que a população lembre disso tudo, para que no futuro, junto à democracia (se é que ela nos ajuda), posso se vingar do dayoff imposto pela suas empregadoras graças a essa maldita greve.


Dica do Post:

Há exatos dez anos, falecia umas das pessoas mais influentes de todos os tempos no campo da música e da sociedade mundial. Frank Sinatra - "The Voice"- talvez seja a mais rápida lembrança quando queremos citar música de qualidade. Sua voz potente e doce entrava em nossos ouvidos como açúcar e perambulava em nossa mente, com as letras de carater romantico que vagava pelo piegas sem deixar de ser brilhante. Indico o álbum 'Duets' e 'Duest II', lançados na década de 90 e recheados de belas canções. Vale a pena conferir também o álbum lançado pela Warner nesta semana de lembranças tristes da morte do cantor, chamado de “Nothing but the best”, que reune clássicos do imortal músico de olhos azuis penetrantes.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O Fervor do Terror

Com ideias fracas e filmes sem conteúdo algum, as industrias cinematográficas responsáveis pelos blockbusters que lotam as salas de cinemas semanalmente, sofrem com o acaso em que filmes de gêneros como comédia e terror caíram. A crítica situação faz com que uma idéia certa se torne uma série exaustiva, apesar de boa (como Jogos Mortais 1,2,3,4 e 5..) e torna o gênero terror – de longe um dos mais reverenciados pela maioria da população – algo pastelão, repetitivo e sem efeito algum.

Felizmente nem tudo são decepções. Contamos com diretores e roteiristas competentíssimos atualmente e que fazem com que seguimentos antes já copiados exaustivamente, se reinventassem e nos presenteassem com bons longas que realmente assustam.

Se em sua mente, ao ler sobre diretores contemporâneos competentes e inteligentes, veio o nome do Quentin Tarantino, que de vez em quando se envolve em um projeto de gênero duvidoso, se enganou. A não ser pelo ótimo Planeta Terror/A Prova de Morte, que junto com o fenomenal Robert Rodriguez buscaram o que tem de mais delicioso nos sangrentos filmes Trash passados nas famosas Grindhouses dos anos 80. Aliás, este projeto de Rodriguez e Tarantino foi um acerto em tanto, pois fez com que transformassemos a tenebrosa nostalgia desses filmes que nos assustavam antigamente, em um piada, visto o retrato fiel da insanidade e baboseira que era o roteiro de um filme desses. Fenomenal.

Reinventar películas é o acerto da vez agora. Pegar um fio de meada posto no passado e colocar características modernas com inteligencia e bom senso tem sido a bola da vez para que o gênero Terror não caia no anonimato. Tivemos a volta de zumbis com a ótima franquia Extermínio (1,2); o monstro devorador com o assustadoramente perfeito Cloverfiel – Monstro; a temática Céu/Inferno com o Colheita do Mal – sucesso de publico e crítica e super recomendado por este blog -; a costumeira reprodução de obras do mestre Stephen King, como o enigmático 1408, além dos costumeiros serial killer´s, que dificilmente agradam, tendo pelo visto sido salvo pela recente franquia bem sucedida de Jogos Mortais.

A utilização de elementos até então inéditos como uma fábrica de tortura no nojentamente bom O Albergue ou o amadorismo de um câmera em um prédio com zumbis - como em Rec -, dão um toque bem maior em filmes de terror e fazem com que o tédio vá embora. E prestem atenção no caso de reproduções americanas de filmes de terror japonês: a qualidade é muito inferior. Os filmes de terror japoneses têm um toque assustador a mais, inexplicavelmente melhor. Comparem: O Grito americano e O Grito japonês. A diferença é nítida.

Enfim. Ainda dá para salvarmos o gênero que tanto nos agrada. Levar sustos, ter o frio da barriga característico, querer saber qual sera a próxima morte, entre outras boas características que nos rodeiam ao assistirmos um filme do gênero e que não podem ser rejeitadas. Que venham muitas morte e sangues para nossa alegria.

Post inspirado no "O Horror do Terror", feito pelo blogueiro Rafael de Carvalho.


Dica do Post:

Comemorando 40 anos e aproveitando que o post é sobre cinema, assistam - novamente também -, o ÓTIMO 2001 - Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick). Quem já conhece o trabalho de Kubrick, sabe da excelencia e da magestade com que o diretor conduz uma câmera. A intelectualidade junto à crítica à uma politica e uma sociedade de época, faz com que o filme não envelheça e ainda nos faça pensar. As dúvidas são muitas e é impossível negar isso. É um show de filosofia na ficção científica, e sem duvida alguma, uma das maiores obras-primas já realizadas no cinema mundial. Sem mais.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A necessidade de um corrimão para o brasileiro.

Isso que vou falar, não é um mal apenas de nosso país, mas tenho de ser direto: nós somos demais. Ultrapassamos qualquer limite.

O brasileiro - visto fatos que sempre nos rodeiam devido os meios de comunicação - possui intrínseco em sua cultura a busca por um apoio em uma hora complicada. Não digo isso falando de pesares pessoais como morte ou separação, em que um ombro amigo é o melhor refúgio. Falo de problemas sociais, que estão em polvorosa em nosso país e sempre há uma válvula de escape em cada caso.

A imprensa sobrevive de escândalos. Quanto maior e mais drástico melhor. É um atrás do outro, não se vê nenhum momento a paisana onde nada acontece. O caso da vez é o que remete o assassinato da pequena Isabella Nardoni, de 5 anos, que foi jogada do 6° andar do edifício onde residia. O caso vem sendo apurado com afinco pela polícia, e sendo de uma grande tragédia, o sensacionalismo que há na imprensa é enorme. Essa pressão faz com que erros indiscutíveis da polícia se tornem expostos e não debatidos, como foi a prisão dos pais da menina, até então os principais suspeitos (mesmo sem nenhuma prova cabal contra eles) e que foram algemados, sendo que eles estavam se entregando de livre e espontânea vontade. Deixo claro que não defendo o pai e a madrasta da menina, mas acho que a justiça deve ser feita, e sei que as algemas só devem ser usadas em caso do suspeito apresentar perigo. A justiça e as pessoas que a cercam, parecem fingir que nada vêem nesses fatos. E isso é revoltante. No fim, o caso de Isabella mostra que precisamos culpar alguém logo diante de uma tragédia. Não temos a capacidade de esperar o resultado real.

A religião é outro ponto de apoio de milhões de brasileiros. Assim, mais uma estátua que chora foi motivo para um enorme alarde. Não gosto muito de entrar em discussões que envolvam assuntos religiosos, entretanto, chega a ser um cúmulo como ainda se rendem à notícias como essas. É frustrante. O apoio na religião é corriqueiro e até necessário, entretanto o fanatismo neste caso beira ao ridículo, e o pior, não duvido que em breve cobrarão a visita à imagem.

Sem mais delongas, é incrível isso no povo brasileiro: a necessidade de um bom resultado, a correria por um culpado ou a busca por um apoio indispensável. Devíamos seguir tudo do jeito que deve ser seguido: deixar a justiça fazer seu trabalho junto a polícia, tentar inibir a imprensa marrom, ser mais cético em certos assuntos, entre algumas outras "regrinhas" a mais. Se fizéssemos tudo dessa forma, teríamos resultados bem melhores e bem menos bagunçados. Isso eu garanto.

Dica do Post:

Quem tiver oportunidade, assistam na Warner Channel à nova série Pushing Daisies. Conta a história de um rapaz que tem o dom de reviver qualquer coisa que já foi viva mas não podendo toca-la novamente, o que significaria morte definitiva. É uma história intrigante e que vale a pena assistir. O modo como é narrado, parecendo um conto infantil, dá um charme a trama. Bom, àqueles que não possuem TV a cabo, sugiro que baixe os episódios legendados na net. Enquanto a Warner está em seu 1° capítulo, há fóruns com mais de 7° episódios já. Enjoy it!

quinta-feira, 27 de março de 2008

A grave doença chamada Saúde Pública Brasileira.

O ano de 2007 colocou em foco a má administração presente no setor da saúde no Brasil. Manchetes mostravam o mau atendimento nos hospitais capixabas, a péssima infra-estrutura nos centros médicos fluminenses, além de outras situações que começavam a surgir de forma surpresa (ou não) em vários cantos de nosso país.

No segundo semestre do mesmo ano, fomos surpreendidos com vários casos de Febre Amarela, de um tipo diferente e que estava matando rapidamente. A mobilização foi grande e falha, mas deu pra controlar e até o final de dezembro não houve mais do que 13 mortes. E não pense que a doença já foi banida não, porque ainda há casos surgindo.

Lembro-me das incansáveis tentativas do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, de tranqüilizar a população, com dizeres de que não havia hipótese de uma epidemia. Ele falava e mais uma pessoa morria, era algo, assim, catastrófico.

Agora a concentração está em cima dos diversos casos de dengue no estado do Rio de Janeiro. Novamente há o tranqüilizante de que não há motivo para alarde, pois não haverá uma epidemia. Mas infelizmente todos os dias novos casos da doença estão surgindo e a saúde pública de estados - como o do Rio de Janeiro - não está preparada para a grande demanda de casos com a doença.

Decerto que no período – comparado a 2007 -, o índice de casos é menor, mas não é baixo. Segundo relatos oficiais do governo, foram investidos 685 milhões de reais no combate a dengue e mesmo com tamanho capital investido, são dezenas de milhares de infectados. O que acontece? Incabível dizer. Mas há algo errado. As denúncias das más condições nos hospitais cariocas, pelo visto, não tiveram baque algum sobre o governo do estado. As más condições, o superlotamento e a falta de obras ainda são características destes ambientes. Pessoas morrem sem atendimento, não há vagas, falta remédios, falta profissionais, falta instrumentos... e o povo, como que fica na história? Tendo doenças graves para se preocupar e poucos recursos para pagar um hospital decente e comprar remédios sem ter perigo de serem barrados pela falta dos mesmos.

A saúde e a educação neste país precisam urgentemente serem observadas e trabalhadas. É preocupante a calamidade que tudo se transformou.e a passividade com que todos recebem isso. Aqui no Brasil tudo funciona a base de um grande motivo. Estão esperando acontecer uma grande tragédia para que a imprensa internacional caia em peso em cima, para que assim se comesse a fazer algo. A OMS já colocou dados alarmantes sobre a Febre Amarela e sobre a situação da Dengue no país. Já divulgou também que o Brasil não está preparado para receber uma epidemia, seja qual for o tipo. Enquanto isso estão de braços cruzados e dizendo ao povo brasileiro que investiram milhões aqui e ali e que não precisamos ficar preocupados. Francamente.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Across the Universe, 2007


A aposta de cineastas em voltar a produzir longas baseados em musicais da Broadway, com o fascínio dos palcos transformado em exuberantes obras cinematográficas – como HairSpray, Dreamgirls e Chicago -, fez com que a decepcionante e previsível indústria de filmes americanos se reinventasse e fizesse do gênero musical mais mastigável à todas as camadas populares, o que é louvável. Mais louvável ainda é quando somos presenteados com bons musicais e com identidade própria. Esse é o caso de Across the Universe, dirigido pela competente Julie Taymor (Frida) e que tinha todos os elementos para se tornar um clássico, mas que escorrega feio na desordem do roteiro e na má edição final.

[SINOPSE] Uma história de amor num cenário ambientado na década de 60 em meio aos anos turbulentos de protesto contra a guerra, exploração da mente e rock 'n roll, o filme vai das docas de Liverpool ao universo criativo e psicodélico de Greenwich Village, das ruas tomadas pelos protestos em Detroit aos campos de morte do Vietnã. Os artistas namorados Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood), na companhia de um pequeno grupo de amigos e músicos, são atraídos pelos movimentos contrários à guerra e da contracultura que surgiam, com o “Dr. Robert” (Bono) e “Mr. Kite” (Eddie Izzard) como seus guias. Forças turbulentas fora do controle deles acabam separando os dois jovens, obrigando Jude e Lucy – contra todas as adversidades – a encontrarem um jeito de voltar um para o outro.

O interessante de Across the Universe, é a utilização certeira de certas músicas dos Beatles, que se encaixam perfeitamente em dados momentos e faz com que o filme tenha um sabor especial e nostálgico à nós fans da banda de Liverpool. Taymor se revela não apenas uma beatlhemaníaca como também uma brilhante conhecedora dos maus tempos que cercaram a população americana durante a Guerra do Vietnã, com destaque à profunda e sincera visão aos jovens da época. Por ser ambientado com um elenco jovem e com uma linguagem um tanto indie, o filme tem a sorte de ser inovador no sentido da plenitude do amor adolescente. As confusões interioranas, a preocupação com o meio, o desejo revolucionário e a vontade de fazer tudo dar certo (na vida e no amor), faz de Across the Universe um retrato fiel e histórico da juventude sessentista.

A escolha dos atores de certa forma foi notável. Julie, aliás, tem essa característica em potencial. Escolher um elenco digno e competente e que não traz tantos holofotes pessoais ao longa. Jim Sturgess e Ewan R. Wood são sinceros nas palavras e nas trocas de olhares, e sabem trabalhar em um romance – acreditem, por mais fácil que seja, atualmente é raro ver competência nesse gênero. O mais no elenco do filme fica por conta da talentosa Dana Fuchs, que aparece bem pouco mas se destaca. Felizmente não há falhas com atuações, e nem pudera ter, já que a diretora se confundiu em peso e grau com as constantes aparições/sumidas de personagens. O exagero prevaleceu nesse sentido e fez com que o longa se transformasse em uma promissora história sem nexo. A utilização de personagens como Prudence (que pelo visto só foi posta no filme devido à música de mesmo nome dos Beatles), que aparecem-somem-aparecem novamente sem explicação cabível alguma, é frustrante e decepcionante. Outro exemplo foi Bono Vox aparecendo por dez minutos e sem mais é retirado de cena de forma instantânea e inexplicável.

O filme conta com um jogo de câmeras bem feito e com uma fotografia incrível. Utilizar momentos de psicodelia, além de sublime, seria de grande acerto no longa. As imagens são fantásticas e isso é incontestável. Entretanto, sabendo que este recurso é no mínimo fascinante aos telespectadores, Julie novamente exagera na dose e deixa no filme takes que poderiam ser descartados pela falta de ligação com o filme. O trabalho de edição parece ter sido corrido a ponto de deixar cenas desnecessárias à visão de cinéfilos atentos.

Outro “possível” erro, foi a utilização das dezenas de músicas dos Beatles sem cortes. Decerto que é um musical, mas o proveito poderia ser inexplicavelmente maior caso houvesse um engenheiro de som competente na maravilhosa trilha. Isso fez com que Across the Universe se tornasse um filme demasiado longo e que foge ao estereotipo de popular - o que não é uma qualidade.

Julie Taymor tinha todos os ingredientes para fazer de Across de Universe o melhor filme de 2007, entretanto erra a mão e nem ao menos faz do longa-metragem um musical cinematográfico competente e maravilhoso – que é como ele deveria ser no mínimo. Across the Universe nem de longe passa despercebido, é um filme carismático, inteligente e competente, imperdível até, mas incomoda com tantos erros visíveis vindo de uma grandiosa diretora que jogou um possível trabalho extraordinário no acaso do comum.

Nota: 8.5

Dica do Post:
Acometido pela vasta (e brilhante) obra de Ella Flitzgerald e Nina Simone, me perdi um pouco no gênero que mais me identifico: o bom e velho rock. Quase que deixo de ouvir um dos discos mais bem feitos de 2008 até agora:
Accelerate - R.E.M. (4estrelasde5)
A banda (imortal por Losing My Religion), extrapola suas barreiras e inova a carreira com este fabuloso disco. O melhor deles nesta nova década. O R.E.M. volta a suas raízes e nos presenteia com o velho e ótimo power/rock/pop que tanto brilhou em sua carreira na década de 90. E não pensem vocês que escutarão um som já passado e enjoativo, o interessante de Accelerate é a facilidade com que o som funciona no decorrer do álbum, partindo de um prisma antigo - por assim dizer-, e chegando aos dias atuais, com uma baixo e uma guitarra enfurecida. Quase inacreditável!

domingo, 16 de março de 2008

O açougue de ossos da moda.

A experiência de participar de um desfile de moda para muitos parece ser algo incrivelmente fabuloso, já que conviver com o glamour e o brilho parece ser sinônimos de algum tipo de felicidade. Alerto-lhes que não é para tanto.

A inveja é visceral nos olhos de todos ao redor. A felicidade parece estar perdida entre a disputa e a cobrança. Ah, a cobrança... Antes fosse uma característica ideal a qualquer tipo de trabalho, mas é um tipo de cobrança cruel, aquela que inventa sobre seu corpo, que te denigre diante vários, que te coloca para baixo com apenas poucos segundos de palavras.

Ao participar de um evento como esses, assistimos de camarote como que é o desprezo pelo corpo saudável, a busca pelo perfeito – sem limites -, e a intenso disputa pela venda fútil.

Lógico que não são apenas lamentações e decepções, mas certo que são muitos espinhos para uma rosa só. Não se iludam.


Dica do Post:
A dica vai ser simples e rápida, pois de tão exuberante e impressionante não é preciso ter informações e nem mais nada. Entretanto, sinto informar que por aqui não rolará downloads, pois as obras dessa cantora são vastas demais e é impossível escolher uma.
Enfim, terminando com o estridente suspense, clamo que conheçam a diva Ella Fitzgerald.
Com uma voz poderosamente sublime e uma presença que deixa qualquer nervo saltitante, Ella é fenomenal cantando Jazz, Soul, Blues..... é dificil descrever. Posterior à Billie Holliday e anterior à Amy Winehouse, Ella
Fitzgerald está no pódio das melhores intérpretes que já existiram. Conheci-a há pouco tempo e simplesmente não consigo ouvir mais nada no momento. É fabulosa demais.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A perda total dos valores paternos

Já a algum tempo, venho reparando que o divino senso de proteção de pai/mãe ao filho começou a se desgastar, sendo essa mais uma conseqüência da atribulada vida moderna que nos cerca. Uma das notícias mais polêmicas que circulam atualmente é a do estudante João Victor Portellinha de Oliveira, de 8 anos, que foi classificado no vestibular de Direito na Universidade Paulista (Unip). Lógico que é notável a inteligência do garoto, mas o menino deseja estudar no curso o mais rápido o possível, mesmo estando na 5º série do ensino fundamental. A Unip já se manifestou dizendo que é complicado e que não permitirá, já que – segundo a universidade- o garoto prestou o vestibular na condição de treineiro (em que apenas alunos que não terminaram o ensino médio podem fazer, sem poder estudar na universidade, caso passem) e que por isso ele não poderá cursar o almejado curso. A ironia, é que a universidade (que esta sendo investigada pelo MEC por isso) cobrou a taxa de matrícula do garoto e barrou o menino e o pai no 1º “dia de aula” de João Victor.

Enfim, o que resta discutir é a insistência dos pais em matricular a criança, de 8 anos, em uma universidade. Tudo bem, o garoto tem potencial para passar na prova, é esforçado e alimenta um sonho louvável (ser juiz), mas calma lá, é uma criança. Coloca o garoto na rua para estourar a lapa do dedo jogando bola, ou ralar o joelho brincando de algum pique. Se não gosta do filho na rua, faça isso com ele em casa: jogue videogame, convide amigos, o garoto tem 8 anos! Acho cabalmente ridícula a atitude destes pais. Reconheço que os tempos não são como antes (ao qual tive sorte de crescer nele), mas para tudo se dá um jeito. A infância é a melhor época de nossas vidas, isso é relevantemente indiscutível, e acho de pura canalhice tirarem isto de um moleque. E olha que nem estamos falando das milhares de crianças pedintes que nos cortam o coração todo santo dia nas ruas deste Brasil; estamos falando de uma criança que tem o mundo em suas mãos – e por culpa dos pais – pode perder o supra-sumo da vida. É eloqüentemente gritante minha revolta ao ver uma situação dessas. E o pior que todos estão achando lindo... ê Brasil....

Dica do Post:
Os novos álbuns do Portishead e do CSS já estão na net. O Portishead nos presenteia com “Third”, um segmento fabuloso que traz uma pegava sinistramente eletrônica e suave, fugindo, assim, dos parâmetros que levaram a banda ao reconhecimento mundial, e nem por isso pecaram no disco. Fabuloso!
PORTISHEAD - THIRD *4estrelasde5*
Para quem achou que 2007 foi o ano dos brazucas do Cansei de Ser Sexy, 2008 promete muito mais. O novo disco, “Donkey”, segundo do CSS, vem com uma produção mais redonda e mais bem trabalhada. O humor demente e as batidas chocantes ainda continuam lá, com certa intensidade LSD. Além de estarem com um cd não-descartável chegando no mercado, o CSS cada vez mais se torna popular. O video "Music is My Hot Hot Sex" ("Ele é fodão, mas eu sei que também sou"), é o mais visto do site YouTube. O inacreditável número (até a publicação deste post) de 104.955.922 rendeu ao grupo matérias em todo o mundo.
Então é isso. Enjoy!!!

quarta-feira, 5 de março de 2008

De volta ao Circo Latino

Desta vez extrapolou. Chegamos ao fundo do poço. Muitos se perguntam o porquê de eu utilizar a primeira pessoa do plural, mas todos nós fazemos parte de qualquer desgraça que aconteça nesta América Latina. A última foi sermos surpreendidos com Chávez pedindo ao povo um minuto de silêncio pela morte de um dos lideres terroristas (repito: terrorista) das FARCs. Quando pensávamos que estávamos a ver a cena mais bizarra do ano, eis que surge o esquecível presidente do Equador, Rafael Correa, que sobe no picadeiro e declara um total descontentamento com o governo da Colômbia, pois positivo ou não, assassinaram o terrorista em terras equatorianas, e isso é um absurdo, ora pois!

Aproveitando da brecha aberta por Correa, o canastrão Hugo Chávez já se posiciona à frente da imprensa e fecha a embaixada venezuelana na Colômbia, atitude seguida (ou copiada?) pelo presidente do Equador. Entre troca de farpas e ações militares a lá WAR, Evo Moralez e Lula são buscados para tentar mediar o que poderia se tornar um conflito.

O medo de uma guerra explodir em nosso continente – apesar de inevitável - sem dúvida é viajante. Primeiro que um dos lados da corda é tida pela Colômbia e seu presidente sem pulso firme Álvaro Uribe, que não tardou muito já pediu desculpas ao Equador – mesmo tendo como apoio os EUA. E outra, os reais conflitantes são Colômbia e Equador, Chávez mais uma vez se meteu intruso, assim como o governo norte-americano. Usaram de dois países fracos para mais uma vez brincarem de policia e ladrão, em que papeis são indefinidos neste jogo.

Brasil e Bolívia foram convidados a intermediar o suposto conflito. Ambos países possuem registros na imprensa de possíveis negociações com os guerrilheiros das FARCs, e devido o medo disso voltar a tona (no Brasil houve a especulação, infelizmente na mesma época do escândalo do mensalão) acabaram por ficar como mediadores do conflito.

Pelo visto, até agora esta tudo resolvido. O presidente do Equador aceitou os pedidos de desculpas de Uribe, que também assumiu que foi um erro invadir terras alheias. Chávez se colocou inconformado, o que nem de longe é relevante.

Enquanto isso, ficamos assistindo ao possível fim do showzinho circense montado para que o mundo veja que em matéria de administração e ética, a América Latina em si precisa se desenvolver muito para que possa começar a amadurecer política e economicamente.


Dica do Post:
Aos que puderem (quem dera eu), assistam aos show do grande músico Bob Dylan, sem dúvida alguma uma das mais influentes figuras na música internacional de todos os tempos.
Turnê no Brasil:
Quarta-feira (05/03) - São Paulo
Quinta-feira (06/03) - São Paulo
Sábado (08/03) - Rio de Janeiro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men) - 2007

O grande vencedor da grande noite do Oscar, realmente fez mérito a cada um dos prêmios recebidos. O filme dos irmãos Cohen nos traz o espelho da sociedade moderna, em que – bem definido pela tradução em português do título original- em um mundo selvagem, os fracos não tem vez, mesmo.

Sinopse: O ator Tommy Lee Jones (de "Homens de Preto") estrela o filme "Onde os Fracos Não Têm Vez" (No Country for Old Men), a mais nova - e sangrenta - produção dos aclamados irmãos Joel e Ethan Coen ("Fargo"). Inspirado no romance do americano Cormac McCarthy, "Onde os Velhos Não têm Vez", o longa se passa no Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem, de "Mar Adentro"), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

O roteiro foi adaptado brilhantemente. A inversão de papéis de caça e caçador chega a confrontar a mente de nós, telespectadores, que ficamos aflitos com tamanha frieza e realidade nas cenas de ação. A construção em cima do psicotismo do assassino Aton Chigurgh e da fraqueza intrínseca do caçador Moss chega ao extremo da genialidade nas cenas de confronto violento de ambas as partes. O xerife vivido pelo competente Tommy Lee Jones funciona mais como um mediador, mesmo sendo de total funcionalidade na trama.

A mixagem de som e os efeitos usados na maquiagem para dar veracidade a quantidade de sangue jorrado nas mortes medonhas são de realmente dar calafrios (e alguns sustos).

Javier Bardem imortaliza na história do cinema um dos mais frios e calculistas psicopatas. Só para vocês terem uma idéia, boa parte da compreensão da história do longa esta justamente nos maneirismos faciais e no olhar adotado por Bardem na construção de seu personagem.

Aliás, o que seria relevante levantar como defeito do filme, foi a insistencia dos diretores em investir nas falas. Lógico que seria totalmente necessário, mas neste filme ficou um pouco exarcebado. Além de quase confundir aos desatentos, acabou por ficar com cenas sem nexo algum. Desnecessárias – digamos assim.

Aos que reclamarem do final, assistam novamente e fiquem atentos não apenas nas falas, mas em cada olhar e cada gesto dos personagens, fabulosamente interpretados.

O filme – assim como o livro – tem a trama baseada em seus personagens. A morte do traficante no deserto junto a um massacre é apenas um pano de fundo para que os personagens pudessem trabalhar os conflitos de cada um com maestria. E conseguiram o feito. Onde os fracos não tem vez é exclusivamente o melhor filme feito em 2007.

NOTA: 9.8


Dica do Post:
Abaixo listarei os meus preferidos que concorreram ao Oscar na noite de ontem. Terão a nota dada por mim a cada um deles. Recomendo que assistam todos!
Juno - 9.0
Desejo e Reparação - 9.0
Conduta de Risco - 9.5
Sangue Negro - 9.0
Sweeney Todd – o barbeiro demoníaco da Rua Fleet - 8.6
Piaf – um hino ao amor - 9.6
O gângster - 8.5
Ratatouille - 10.0
O ultimato Bourne - 9.6
O assassinato de Jesse James... - 8.0

Divirtam-se.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

My Chemical Romance - Ao Vivo em Curitiba (17.02.2008)

A caminho. Trânsito tranqüilo em Curitiba, nem parece que daqui a pouco uma das maiores bandas de rock atualmente no mundo se apresentará pela segunda vez – em menos de 3 dias- em solo brasileiro.

A espera pelo My Chemical Romance no Brasil já é de longa data, e finalmente os maiores ídolos emo (eles rejeitam o rótulo) nos presenteam com 4 shows que certamente serão únicos.

19:25hrs, chego cedo para o concerto que está marcado para as 20hrs. Confesso que estou tenso: no Rio uma grade caiu devido ao tumulto e em São Paulo skinheads baixaram para bater nos pobres emos. A fila lotada de adolescentes com rímels e roupas pretas já indicam que cheguei ao local certo. Sou direcionado a entrada exclusiva da imprensa e olham meu crachá (que inclusive ficam com eles), além de pedirem celular e câmera digital, mas como eu não tinha levado nenhum dos dois, fui direto para o local reservado.
Os portões já haviam sido abertos e a Hellooch já estava quase lotada. Só se ouvia gritos felizes (e femininos) vindo de trás da platéia. Vozes chamavam a banda - ou apenas o vocalista Gerard Way - que um pouco mais das 20hrs atendem aos frenéticos pedidos e começam um fabuloso show (vestidos com a mesma roupa que estavam no show do Rio, diga-se de passagem), com The Sharpest Lives.

O repertório incluiu músicas dos 3 álbuns com grande destaque ao supra-sumo da banda, o The Black Parade, que traz músicas de caráter sublime como Mama, Famous Last Words e Welcome to the Black Parade – que foram incluídas no set list. Na décima música tocada - This Is How I Disappear – vejo que o fotografo que me acompanha olha feio pra mim. Sim, eu parecia um dos fans eufóricos e sabia a maioria das letras de cor e salteado (do álbum TBP sabia todas).

O ponto alto da noite foi em Sleep, com um show de guitarras e bateria que fez até com que a limitada voz de Gerard Way (quase) conseguisse atingir os altos agudos da versão de estúdio. Em Teenagers a banda brincou com a platéia, que continha alguns pompons fofos levantados e deram um toque todo especial ao grande hit, além de sermos surpreendidos com Gerard Way encenando um sexo oral no microfone: hilário. Em seguida veio Famous Last Words, uma das melhores da banda e também desse show. Após o hit, as luzes caem e o clima melancólico e sofrido da música Câncer faz com que todos acompanhem Gerard, cantando todos juntos em clima fúnebre. Assim quase se encerra o concerto, que ainda contou com uma possível música nova e com vários pedaços de covers, que iam de Smiths (heaven knows i'm miserable now), passavam por Oasis (don't look back in anger) e chegavam ao Lou Reed (perfect day), cantados a capela pelo vocalista no intervalo entre uma música e outra. O bis fica por conta da ótima b-side Desert Song e do grande hit do My Chemical, Helena. Uma hora e meia depois o show termina. Entre desmaios de fans e muito empurra-empurra, as (por volta) 1300 pessoas deixam o local. Rímeos borrados pelo suor e pelos choros; vozes roucas pelos incessantes e desesperados gritos e o desejo de “quero mais” pareciam fazer parte da maioria dos adolescentes que ali estavam. Ainda não eram 22hrs da noite, mas para muitos a melhor noite de 2008 terminava ali, e muito bem obrigado!

Os 3 destaques do show:

  • A formidável habilidade do baterista Bob Bryar e do guitarrista Ray Toro, que mostraram competência na difícil instrumentação nas músicas do The Black Parade.
  • O não atraso e a estrutura montada desde a época da venda dos ingressos. Nem pareceu que foi feito aqui no Brasil.
  • O show em si – que foi ótimo-, a empolgação da banda e as estranhas reboladas do vocalista, que além de aumentar as dúvidas sobre sua sexualidade, divertiam demais os atônitos fans.

Os 3 principais defeitos do show:

  • A briga entre seguranças e fans disputando o controle de máquinas fotográficas e celulares com câmera.
  • O local extremamente abafado que não nos deixava esquecer que era verão brasileiro.
  • E a banda não ter tocado The Gosth of You e You Know What They Do To Guys Like Us In Prison por inteiro. O Set List foi bom, mas eles poderiam ser menos ousados na escolha das músicas.
**Set List: The Sharpest Lives / Dead! / I’m Not Okay / Cemetery Drive / My Way Home Is Through You / Mama / House Of Wolves / Welcome ToThe Black Parade / I Don’t Love You / This Is How I Disappear / Headfirst For Halos / Kill All Your Friends / Give’em Hell Kid / You Know What They Do To Guys Like Us In Prison / Sleep / “New Song” / Teenagers / Famous Last Words / Cancer. Bis: Desert Song / Helena.

Dica do Post:
Aproveitando a euforia pós-show, vou deixar como dica os 5 singles que mais gosto do My Chemical Romance. Caso o leitor não os conheça, dê uma escutada e vê se agradam aos seus ouvidos.
1. Helena
2. Welcome to the Black Parade
3. Famous Last Words
4. Teenagers
5. Mama (live)


foto by Gabriel Pinheiro**

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Destino?

Destino. Essa palavra pode ser tão surreal para alguns e realista ao extremo para outros. Não consigo me posicionar diante disso. Será que as vezes o destino vem encarapuçado em provações? Talvez. O que aconteceu comigo foi algo assim. Uma troca sublime de olhares. Uma pequena conversa. Um quarto vazio e o acerto final daquilo que seria minha cruz pelos próximos meses seguidos.

Dois desconhecidos que nunca haviam cogitado nada entrelaçados pelo o que poderia ser o sentimento mais bonito (e perigoso) deste mundo. Época difícil para ambos? Para mim sim. Telefonemas aumentando. Scraps aumentando. Declarações aumentando. E isso tudo junto à uma dificuldade extrema de se tocar, de ao menos se ver. Aliás, isso fez com que chegasse ao fim certa vez. Um fim doído mas que parecia ser a solução correta a se fazer. Alguns dias de lamentações? Pior que não. E dessa vez falo pelos dois. Saudade? Sim, alguma havia, mas era meio do que inexplicável. Nisso pessoas já haviam começado a interferir, dizendo coisas absurdas e inacreditáveis da pessoa em questão. A pessoa cujo se declarou (erroneamente e precocemente) em um momento de redenção à paixão e da saudade batendo forte na porta do coração com a simples e tão bela expressão “eu te amo”. Totalmente desnecessária, acreditem, pois logo após houve o fim verdadeiro. Fim esse que nem chegou a seu patamar final, já que tudo voltou mais sólido e forte do que antes.

Sólido? Forte? Isso era o que eu pensava. Na semana em que o ato mais quente e delicioso se concretizou como uma explosão duradoura de fogos de artifício, a traição também veio firme e cabal à frente de meus olhos. Tudo o que haviam me dito era verdade. A mancha escura por trás daquele rosto realmente existia. Ou não?? A duvida sempre me cercava. Neste meio tempo, um amor de verão veio como uma salvação. Amores de verão funcionam, acreditem. Não houve apego fatal e nem paixonite adolescente. Foi tudo tão forte, rápido e mágico que fez com que os problemas do último relacionamento se explicassem.

Deslize. Carência. Duas das coisas pela qual eu sofri desonestamente, porque não era sofrimento, era orgulho. A vida continuou. E de certa forma alguém sempre vinha comentar da pessoa errada pra mim. O incrível é que eram comentário ruins, que contrastavam a pessoa ótima que eu tinha comigo e ao qual me tornei amigo. Será que era da mesma pessoa que falávamos? Era sim, isso era incontestável. Com nenhuma esperança de uma volta, eis que a ela surge novamente em minha vida.

O mesmo papo inteligente e ousado que de certa forma me conquistou. Mas sem as indecências de que haviam me alertado, isso nunca aconteceu comigo, o que eu acho formidavelmente estranho. Mais declarações (falsas?), mais pedidos (falsos?), mais discussões (necessárias?) e um termino de conversa que certamente poderia levar a algum lugar. Lugar com local e hora marcada, diga-se de passagem. Lugar que foi o desfecho de tudo. Lugar em que uma pessoa apenas cumpriu a promessa. Lugar que foi o ultimato desta relação, que havia sim, intrinsecamente, um sentimento forte em ambas as partes. Pode haver um futuro? Muito improvável (nunca digo nunca). Chances e pedidos houveram aos montes. Eu tinha escolhido um amor, ela apenas paixão. Era o que eu via. Era o que todos me alertavam. Mas era o mais improvável. Não me arrependo de nada, ao contrário do que eu costumo soltar para todos que me contestam do porquê de eu ter vivido tal relação. Apenas digo que foi culpa de um destino infeliz. Desculpa esfarrapada de um tolo apaixonado.

Desculpem leitores. Post pessoal costuma passar longe deste blog. Mas só com as palavras consigui desatar o nó preso em minha garganta. Post feito para apenas uma pessoa.

Dica do Post: Tanto sentimentalismo foi escrito ao som do rei da armagura e da tristeza. Anthony and the Johnsons, que nos presentou em 2007 com belíssimos shows no Tim Festival de São Paulo e do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O Selo da ignorância e da incapacidade proposto ao estudante brasileiro pelo Governo

A má educação brasileira, junto à saúde, foram e ainda são os principais argumentos que explicam o porque deste país não ir para frente. Lógico, estes dois são a base dos problemas, que são cada vez mais supridos pela violência e pela corrupção. Depois de um defasado governo vindo de Fernando Henrique Cardoso, as propostas de Lula vieram como uma luva para o povo mais humilde, logo que promessas de uma vida melhor vindas de uma pessoa que passou por maus bocados em sua trajetória eram algo no mínimo animador. E é aí que veio o perigo. Lógico que Lula não cumpriu a maioria de suas promessas, mas soluções para se diminuir a fome, o analfabetismo e a exclusão social vieram de tal forma como antes nunca vista. Louvável atitude? Nem tanto.

O presidente se próprio contradisse com a aplicação de seus projetos, já que um dos seus principais jargões eleitorais era “eu não apenas darei o peixe, como também ensinarei a pescar”, e infelizmente não foi isso o que aconteceu. Projetos como o Bolsa Família apenas dão o “peixe” aos brasileiros sem fazer com que possam prosperar de alguma forma. O projeto não dá oportunidades de crescimento ao beneficiado e acarreta o acomodamento, conseqüência lamentável em um país como este. Foi de grande ajuda? Lógico, diminuiu as taxas de miséria e de evasão escolar, mas poderia ser bem diferente e bem mais vantajoso futuramente se não fosse tão mal feito. Assim como é com o Sistema de Cotas imposto em algumas faculdades publicas. Aliás, é pior.

O sistema criado é um atestado da incapacidade do governo federal em criar soluções que realmente funcionem neste país. Baseado no sistema de cotas raciais norte-americano, o brasileiro expandiu ainda para os estudantes de escolas públicas. É totalmente descabível que este sistema funcione. Combater o preconceito?? Aumentar chances para negros e pobres?? De onde tiraram isso? As conseqüências que este projeto gerará são calamitosas: os negros sofrerão maiores discriminações (o sistema coloca “brancos” como mais capacitados); os alunos que realmente se dedicam aos estudos serão prejudicados tendo suas vagas roubadas; famílias que passam a economizar uma vida inteira para bancar filhos em boas escolas serão injustiçadas, além de no futuro temos profissionais desprezíveis e mal-formados que farão deste país uma prova concreta de conseqüências de um governo ignorante.

Concordo que para um marketing de governo esse projeto é perfeito. Deixa Lula com o título de “pai dos pobres”, mas eles poderiam dar uma melhorada no sistema. Ao invés de colocar uma porcentagem nas vagas já tidas, porque não aumentar o número de vagas? É uma alternativa que dava para ser feita em curto prazo. E se Lula quer mesmo seguir seu amigo Hugo Chávez e deseja entrar para a história (mas de forma benéfica) deveria seguir o exemplo da Coréia do Sul e da Índia, com altíssimos investimentos na educação básica e fundamental e não no ensino médio. 5.6% do PIB brasileiro vai para a educação, é um número bem relevante, comparado a de países de primeiro mundo, o problema é o destino desse dinheiro. Parece que o governo esqueceu que escolas precisam ser reformadas, que livros novos devem ser comprados, professores devem ser valorizados e por aí vai. A educação não é nada levada a sério neste país, pelo menos não da forma como deveria. Se eles quiseram realmente ensinar o brasileiro a pescar, acabaram por matar todos afogados.

DICA DO POST: Leiam os dois ótimos livros do badalado escritor Khaled Hosseini. O Best-Seller O Caçador de Pipas e o novíssimo Cidade do Sol. Ambos com características dramáticas e envolvendo curiosidades históricas e culturais do mundo árabe. Contadas de maneira fascinante, os livros são de leitura rápida e envolvente. Super Recomendado.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ei, isso é uma alcatéia, não um rebanho!

Confesso que esse post não tem nenhum fundamento oficial, foi baseado em conversas começadas em mesas de bar e terminadas no messenger. Mas a opinião de mais de uma pessoa diante esse tema me incomodou profundamente.

O episódio da aceitação da libertação das duas reféns pelas FARCs foi um acontecimento de grande destaque para a imprensa mundial. Hugo Chávez, um dos responsáveis pelo feito, conseguiu o que era o seu único objetivo: melhorar sua imagem diante o mundo e com uma tacada só, desviar a atenção de seu povo e da população mundial da sua derrota no plebiscito em que decidiria o futuro da Venezuela. Atitude brilhante, diga-se de passagem.

Mas o perigo está em acharmos que a ação dos guerrilheiros na Colômbia deve ser aplaudida e que eles (como sugere Chávez) sejam rotulados como grupo político e não como terroristas. Sou claro diante isso: atitudes do MST, aqui no Brasil, já são tidas como terroristas por mim, agora o que dizer de bandidos que matam em troca de dinheiro? De pessoas que seqüestram estrangeiros (fonte de renda do país) e utilizam da Coca como meio de gerar economia? Que foram capazes de tirar um bebê de uma mãe, que ainda o amamentava, e quase deixar a criança morrer, por simples orgulho? É desnecessário dizer outras calamidades que as FARCs cometem. São sim um grupo terrorista da pior espécie, comparado com a Al Qaeda, entre outros.

O que fazer então? Infelizmente a birra de Hugo com o presidente colombiano Uribe tem seu fundo de verdade. Uribe é extremamente passivo, assim como Lula. E nem ao menos tem o poder que nosso presidente tem diante outros países. Usa atitudes erradas, como tentar acabar com a plantação de coca. Errada? Pois é, errada. A Colômbia é um país paupérrimo e tem na Coca sua principal fonte de riqueza. Não é aberto e nem aceito, mas intrinsecamente é a verdade. Milhares de famílias se sustentam trabalhando nas lavouras. Com o fim das plantações, o índice de desemprego iria subir vertiginosamente e a miséria junto à violência também. O Haiti seria o Brasil perto da Colômbia, caso isso acontecesse. É um processo árduo e lento, que vai demorar a se concretizar. As FARCs não podem continuar na ativa e infelizmente não tenho alternativas que não sejam sangrentas.

O momento para se tomar cuidado conosco (os latinos de forma geral) é agora. Chávez tem planos junto às FARCs e não serão planos benéficos com certeza. A Colômbia tem um presidente fraco q tudo indica que haverá reeleição. O nosso apaziguador – Lula -, se tornou um fanfarrão de mão cheia, pois não se decide para que lado do muro se prende e isso é perigosíssimo para o Brasil – que também tem ligações com o grupo guerrilheiro colombiano, ligações do PT e do MST, já oficialmente provadas.

A dica é que não nos encantemos por supostas atitudes heróicas, que na verdade possuem um passado sangrento e um futuro repleto de ganância psíquica e que não trará vantagem à nossa já sofrida América Latina.

DICA DO POST: Assistam (ou comprem) o fabuloso dvd da inglesa Amy Winehouse. Intitulado "I Told You I Was Trouble", o dvd traz um concerto magnifico em Londres, com um set list louvável e uma presença de palco brilhante dessa problemática cantora. Além disso tudo, há um documentário que nos ajuda a entendermos melhor este mundinho drogado e triste da melhor revelação dos últimos tempos depois do Arcade Fire. Outro dvd que chegou com tudo no mercado foi o do libânes Mika. Se com o cd nenhum parte de nosso corpo conseguia ficar parada, com o dvd ''Live in cartoon motion'', fica provado que Mika é o principal artista pop do momento. A sua potente voz, suas letras e sua presença revigorante no palco, deixam Justin Timberlake no chinelo. Para finalizar as dicas de dvds, o brasileiríssimo Paulinho da Viola lançou - já há algum tempo-, o saudoso Acústico MTV, tido pela Rolling Stone como melhor disco brasileiro de 2007. E a revista não errou. Paulinho tem o que falta à Chico Buarque e Gilberto Gil: afinação e classe no palco. Não sou fã de samba, mas me rendo à este dvd. Aproveitem!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O Umbigo Dourado

Desastres naturais, de pequenas e enormes escalas, são responsáveis por imagens tristes e assustadoras de milhares de pessoas desoladas por perderem tudo o que tinham, assim como é lamentável assistirmos reportagens vindas de países paupérrimos da Ásia e África. Todo ano, mobilizações em prol da paz e em prol da ajuda humanitária fazem parte de calendários com festas e realizações com o objetivo de se arrecadar o máximo o possível para que o dinheiro seja revertido para ONGs e instituições que realizam o ato da caridade.

O estranho é que, às vezes, a quantia juntada em tais eventos, sequer beira ao valor de uma obra de arte, por exemplo. A foto em questão neste artigo é de uma bela obra de Pablo Picasso chamada Boy With a Pipe (The Young Apprentice), e que foi leiloada e vendida para um colecionador por mais de US$100 milhões. Aos que me conhecem melhor, sabe o quanto aprecio uma obra de arte. Em meu computador tenho uma pasta no arquivo com mais de mil obras de artistas e exposições que acho fascinante e que não me canso de revê-las.

No entanto, não entendo o porquê de se pagar tanto pela beleza dessas obras. Acho que por serem fantásticas e com um conteúdo histórico sublime, deveriam ser obras sem valor financeiro e que não poderiam ser vendidas. A meu ver, é muito egoísmo querer mante-las em uma sala fechada e particular. Enquanto se gasta milhões e mais milhões em obras de arte ou em produzir importantíssimas peças em ouro, milhares de pessoas morrem todo dia devido à miséria, em tantos países deste mundo.

Será que o ignorante sou eu ao dizer que seria um melhor gasto doar à uma empresa séria e beneficente alguns milhões de dólares do que gastar o dinheiro com quadros ou peças de museu, que a não ser pela beleza, não trará mais nenhum utensílio?

Essa minha atitude na certa é desnecessária. Quando que o egoísmo das pessoas que podem ajudar vai ter finalidade e assim começar uma revolução por um mundo mais confortável?? Claro, não sou hipócrita em dizer que falta apenas dinheiro para que a situação da Etiópia se resolva, por exemplo, mas sem dúvida é um grande começo. Falo tudo isso como um grande capitalista que sou, mas capitalista por viver em um mundo que “nos obriga” a agir como tal, em uma política em que a outra alternativa é pior de se seguir. Mas ao menos, posso ter a são consciência de que ainda não sou um búfalo egoísta deste decadente mundo.

Dica do Post:
Assistam ao delicioso filme "PS. Eu te Amo". Uma história romântica com boas pitadas de humor. No elenco a talentosa Hillary Swank (Menina de Ouro) e o competente Gerard Bultler (300). Ainda em cartaz nos cinemas. Realmente ótimo. Nota:8.5

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cuidado com este cordeiro!

O presidente venezuelano Hugo Chávez, foi o principal benfeitor responsável pela libertação das duas mulheres mantidas reféns pelas FARCs - grupo guerrilheiro colombiano. A libertação aconteceu após uma assídua e contínua negociação que já durava alguns meses. O negócio foi fechado com a libertação de Clara Rojas e Consuelo González, o que é um grande feito, visto que até hoje não haviam libertado nenhum prisioneiro de um seqüestro que dura mais de cinco anos. Apesar das desavenças, a negociação também contou com a ajuda do presidente colombiano Álvaro Uribe, que há anos tenta insistentemente combater o narcotráfico e o grupo guerrilheiro, problemas que são interligados, já que as FARCs se sustentam com o dinheiro vindo da plantação da coca colombiana. A intromissão de Chávez se deu pelo pressionamento do presidente francês Nicolas Sarcozy na libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt – pressão essa egoísta, diga-se de passagem.

Assim, semana passada Hugo anunciou o resgate, mas na data combinada não aconteceu a ação, o que gerou comentários de que essa seria mais uma idéia populista baseada no sonho de Chávez do que um acontecimento histórico. Mas o venezuelano provou o contrário, libertando essas duas reféns.

A pergunta que fica no ar é: Porque Chávez interferiu nesta negociata?

Razões há muitas. Claro que devemos acreditar que também foi por uma causa moralista e humanitária, já que esse conflito entre o governo da Colômbia e as força guerrilheira do país já dura há bons anos. Mas o motivo é mais amplo a meu ver. Hugo que quer a América Latina para ele, isso é inegável. Seu sonho Bolívar não se restringe apenas à Venezuela e ao Mercosul. Com essa ação louvável, ele conquista admiradores por todo mundo. Até o governo norte-americano se pronunciou felicitando Hugo pela intermediação na libertação das reféns. O que temos de tomar cuidado e que tudo foi planejado por ele. Os ideais de Hugo Chávez para com os paises latinos são perigosos. Lógico, não são tão ensandecidos como a revista Veja insiste em divulgar, mas são ideais que atrasariam a economia e a política de nossos paises latinos.

A carapuça de cordeiro da vez caiu como uma luva nos planos do presidente venezuelano, e cada presidente (principalmente o Uribe, no momento) deve ter ciência de que ainda é o velho Hugo, o mesmo difusor de uma cultura neo-socialista hipócrita e que utiliza de ameaças e pressões para conseguir o que almeja, e isso para mim é um defeito político irrefutável, causador de grandes tragédias que bem conhecemos em nossa história.


Dica do Post: Ouçam o fabuloso novo álbum da cantora indie Cat Power. Jukebox são canções regravadas por ela de forma brilhante, entoando uma força divina na voz rouca e com uma banda de dar calafrios. Ouçam as ótimas New York, I Believe in You e Don´t explain. Já é um dos meus favoritos para 2008...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

1 ano de Blog

Muitos duvidaram que este dia chegaria, digo isso honestamente, até eu duvidava. Mas tudo ocorreu bem e hoje orgulhosamente comemoro junto aos meus amigos conquistados nestes 12 meses, um ano de blog.

Este espaço é a minha fuga do mundo e por isso tenho grande carinho por ele. Gostaria de agradecer a todos os amigos conquistados, amigos bloggueiros que desejo muito debater qualquer assunto q seja em uma mesa de bar algum dia.

Comemorando o aniversário, reformulei todo layout do blog. Com a ajuda do brilhante Arne Balbinotti, moldei o que parecia o ideal para mim de um blog, e acho que consegui construir o meu objetivo. Ok, foram madrugadas difíceis – sou bem complicado-, enchendo o pobre Arne com minhas idéias e rindo demais de nossas palhaçadas (obrigado rapaz), mas o resultado final foi satisfatório. Com o tempo vocês desfrutarão mais e mais das novidades que este blog deseja proporcionar a vocês.

Para começar, cada post trará um dica. Seja ela de álbum, de música, de filme, de peça de teatro.... enfim, uma dica.

Bom, um brinde à nós e que mais um ano venha. Obrigado pelo apoio!

.Diego Moretto.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Blog em Construção por tempo bem curto...


Aniversário do blog chegando e resolvi, com a ajuda de um célebre amigo, colocar mais tijolinhos neste meu tão amado espaço. Blog em construção galera, por pouco tempo....

assistam o fabuloso vídeo narrado por Pedro Bial: uma sublime crônica sobre a vida. "Filtro Solar".
Diego Moretto.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os 10 melhores álbuns de 2007


Bom, antes de tudo gostaria de agradecer por aqui aos incentivos e aos votos dos amigos deste blog, além é claro dos convites de Meme´s e premiações - Muito obrigado mesmo. Não voltei no tempo determinado, mas não foi por desleixo, foi falta de tempo mesmo e de internet, hehehe.

Bom, acumulei bons assuntos neste meu tempo de recesso e tentarei trazer todas as semanas o que me pertubou durante esses últimos tempos.

Como eu não queria voltar com um post polêmico, e negativo, resolvi presenteá-los com a minha lista dos 10 melhores álbuns de 2007. Eu realmente espero que vocês curtam. Bom, muito obrigado à todos vocês pelo apoio.

Diego Moretto.

Os 10 Melhores álbuns de 2007

Este ano foi ótimo para a indústria da música, com lançamentos geniais e que me fez ficar bem perdido na hora da escolha dos dez mais. Entretanto, as bandas que eu pensei que estariam nesta lista, não conseguiram tal proeza. Um grande exemplo é o Linkin Park, que lançou um álbum normal, bom mas sem nada a acrescentar. O Chris Cornell lançou um álbum bem sem-graça, em que apenas sua bela voz salva o disco. O Foo Fighters quase entrou nesta lista, mas ainda não foi dessa vez. Grandes nomes como Andrew Bird, Björk, White Stripes e Vanguart também passaram perto da lista, mas não entraram. Bom, esta é a minha opinião dos melhores discos de 2007, realmente espero agrada-los.

Neon Bible – The Arcade Fire: (capa em destaque no post)

Os canadenses do Arcade Fire surpreenderam a indústria musical ao lançar o fabuloso Funeral (2005), um disco complicado e de extremo bom gosto. Com o sucesso do primeiro álbum, duvidou-se da competência da banda em produzir um cd tão bom quanto foi o de estréia. Bom, em março de 2007 eles provaram que são atualmente a banda com maior habilidade e inteligência musical da nova geração. Neon Bible surpreende pelo mistério e pela deliciosa complicação – característica marcante da banda. Não apenas é preciso ser minucioso para descobrir cada instrumento usado nas canções, como também é necessário um grande atentamento às belíssimas letras, em que poesias sublimes tornam-se doces aos nossos ouvidos. Há quem duvide que a letra de Ocean of Noise é a mais bonita deste ano?
Destaque para My Body is a Cage, No Cars Go, Black Wave / Bad Vibrations e Neon Bible. Com isso tudo, o Arcade Fire não apenas leva o título de melhor álbum de 2007 como também um dos melhores desta década.


Back to Black – Amy Winehouse:

São poucas as cantoras que se consagram logo no começo da carreira. Amy Winehouse é um grande exemplo disso, já que em seu segundo álbum (o primeiro por uma grande gravadora) conseguiu a proeza de ser denominada Diva. Back to Black traz o melhor que um disco de R&B e soul podem nos trazer atualmente. Com uma voz poderosa e letras pessoais, o álbum é brilhante do começo ao fim. O hit do ano, Rehab, tem todas as características que fazem singles estourarem na mídia, mas com o diferencial de não seguir um modismo. É único. Me and Mr. Jones e Back to Black também são esplendorosas canções que destoam no afinamento e no vigor de Winehouse. Infelizmente a cantora beirou ao precipício neste ano. Foram tantos acontecimentos lamentáveis que parecem ter passado 20 anos em apenas 365 dias. Nem por isso ela deixa de ficar no pódio. Back to Black são 37 minutos de pura excelência.

In Rainbows – Radiohead:

O Radiohead é a banda de 2007. Isso porquê foram capazes de não apenas nos surpreender com um brilhante disco, mas também por tomarem uma atitude notável. Já como banda alternativa (romperam o contrato com a gigante EMI), a banda anunciou que colocaria a venda o novo álbum em um site e deixaria a livre arbítrio do fã o valor do disco. A atitude foi vangloriada pelos fans e subestimada pela industria. O resultado foram milhões de cópias vendidas no site e um novo modo de vender álbuns, certamente copiado no futuro. In Rainbows já é consagrado como um dos melhores do Radiohead. Não ofusca a genialidade do Ok Computer e nem o fabulosismo do The Bends, mas nem por isso deixa de passar despercebido. As canções variam no barulho, podendo ser bem potentes (Bodysnatchers) ou suaves (Nude). Há aquela balada triste já marcante da banda (Videotape) e aquele tipo de música que nos fazem cantá-la por semanas a fio, devido a plenitude de sua bela letra (Jigsaw Falling Into Place).

Assim, In Rainbows consegue ainda ficar no pódio, mesmo tido seu lançamento em recentes 3 meses. O Radiohead novamente mostrou que ainda pretende ser os melhores da década, assim como foram no passado.

Life in a Cartoon Motion – Mika:

O libânes Mika surpreendeu a todos com um delicioso disco, recheado de sons dançantes e com baladinhas que fazem qualquer um suspirar. Comparado cansativamente ao mestre Freddie Mercury – devido ao seu afinadíssimo e potente timbre vocal-, Mika ficou entre os primeiros nas paradas musicais do mundo inteiro com a totalmente única Grace Kelly, música que espelha bem o álbum por inteiro. O segundo single Love Today e a balada Any Other World, além da incrível Relax, Take it Easy são destaques excepcionais frente à um álbum maravilhoso e único. Há, tenham atenção dobrada em Lollipop - essa é genial.

The Flying Club Cup – Beirut:

Não enquadrar a arte em nenhum estereótipo, atualmente, é o melhor a se fazer. Tanto pela dificuldade que certas obras apresentam quanto pelo crime de não deixar o artista se expressar do modo que ele queira sem ser criticado por isso. Voltando a falar da complicação, quem já teve a oportunidade de ouvir, em que estilo você enquadraria o Beirut? Há alguns que dizem que eles são pop, mas não concordo, acho o estilo pop muito superficial, porque o que não é pop hoje em dia não é? Mas realmente encontrar um estilo para o Beirut é uma tarefa para lá de complicada. Utilizando elementos folks com detalhes sobressaltantes folclóricos e ciganos, o grupo faz uma música extremamente diferente. Começaram com isso desde o começo da banda, com seus EP´s e seu primeiro disco bem imaturos mas já dizendo que coisa boa vinha por aí. Bom, e veio. The Flying Cup é uma obra-prima, e são de poucos discos que digo isso. O cd é de cabo-à-rabo diferente e maravilhoso. Viajante para melhor exemplificar. Este é um daqueles em que não podemos escolher as melhores, mas vejam o clip de Nantes e comprovem o que digo.

Cease to Begin - The Band of Horses

Os americanos do Band of Horses conquistaram um grande público com um ritmo bem agitado e talentoso. Além uma bela capa, Cease to Begin é um disco estupendo, em que funciona experimentações da banda inteira e, por mais diferentes que sejam as músicas, caem direitinho em nossos ouvidos. Há detalhes do folk/rock e do cowntry nas canções – algumas com grande influência desses estilos-, e o indie é uma característica que funciona no disco inteiro. O vocalista utiliza um tom vocal que nos remete às deliciosas baladas oitentetistas.Coloque o disco no carro e viaje ao som de No One's Gonna Love You e Detlef Schrempf. Destaques para Window Blues, Is There a Ghost e Cigarettes e Wedding Bands. Brilhante!



Favourite Worst Nightmare – Arctic Monkeys

O Arctic Monkeys (assim como nosso primeiro lugar da lista) lançou um notável álbum, que mexeu com os padrões musicais ingleses e mundiais há poucos anos. Eles precisavam apenas comprovar que realmente eram tão fenomenais, ou se eram apenas sortudos principiantes. Bom, no começo de 2007, Favourite Worst Nightmare chegou e colocou os caras como os novos reis do Britpop. O primeiro single, Brianstorm, trouxe uma carga grande de agitação e guitarras descontroladas, assim como há no álbum todo. D is for Dangerous e 505 são outros destaques fenomenais. Além dos dois ótimos álbuns lançados, a banda também é realmente competente no palco, característica que não deve passar despercebidas já que estamos tratando de jovens que ainda não chegaram aos 22 anos.




Young Modern – Silverchair:

Depois da obra-prima Diorama (2002), Daniel Johns anunciou que estaria envolvido em um projeto paralelo com seu tecladista Paul Mac (The Diassociatives) e que não teria planos para o silverchair, deixando seus fans perplexos com o que parecia ser o fim. Em 2006, a banda voltou a se apresentar e trazendo músicas inéditas, que ocupariam – em 2007-, o Young Modern, mais um disco diferente de tudo o que a banda já fez – característica louvável do grupo. Com ingredientes que vem desde a década de 70 até os dias atuais, a banda veste uma carapuça indie e nos surpreende com ótimas canções. O primeiro single, Straight Lines, começa com um irrequieto piano e explode em altos agudos na voz de Johns. Além dela, há a épica e maravilhosa Those Thieving Birds, dividida em três partes que mostram até onde pode chegar a genialidade do vocalista, tanto nas melodias quanto nas letras. Outros destaques são a única If You Keep Losing Sleep, a pesada Mind Reader e a bonitinha Low, que se sobressaem em meio a todos os ótimos sons. Felizmente a banda já anunciou um show por terras brasileiras em 2008 e um possível álbum no futuro, é aguardar e se deliciar com as novidades de uma das melhores bandas do mundo.

Era Vulgaris – Queens of the Stone Age:

O Queens of the Stone Age sempre foi sinônimo de ousadia e de qualidade. Em todos seus álbuns há ambas características. Em Era Vulgaris, surpreendeu a todos pelo tom melódico e desleixado (isso é um elogio, acreditem) além da sensualidade arruaceira que presentearam os fans, mas sem esquecer da fúria que também se tornou marca registrada do grupo desfalcado liderado pelo talentoso Josh Homme. Em Sick Sick Sick e 3´s & 7´s mostram todo o ardor dos antigos álbuns, com riffs perfeitos e que nos fazem viajar nas músicas. Há também a exótica e suavemente pop Make it Wit Chu, e as estonteantes Battery Acid e I'm Designer, que levam este álbum a um patamar superior e se torna um dos melhores não apenas do ano, mas de toda carreira do QOTSA.

The Reminder – Feist: 10º

A canadense Leslie Feist é uma ex-cantora de punk que apenas conseguiu o estrelato cantando seus sons jazzísticos e sublimes. Lançou há dois anos um belíssimo álbum, ao qual ofuscou com o lançamento do incrível The Reminder, um disco bem gostoso de se ouvir e que é recheado por canções cantadas por uma interprete maravilhosa e competente. Feist coloca em suas suaves canções ritmos dançantes e brinca com este amplo universo do soul e do jazz. O tom rouco da voz da cantora (reza a lenda que é por causa do seu passado como punk), destoa talento nas interpretações. Os destaques vão para as tristes The Park e The Water, com agudos que realmente chegam ao coração, e também ao notável e divertido single 1, 2, 3, 4. Feist fica no pódio de uma das melhores cantoras indies da atualidade, ao lado da afinadíssima Cat Power e da talentosa Regina Spektor.