
Dentre tantos problemas mal cuidados no Brasil, o da saúde – mesmo não sendo o maior-, sem dúvida está no pódio dos mais agravantes. Manchetes e mais manchetes exploram a inépcia do governo com a mazela e
nos fazem indagar o que eles estão esperando acontecer para tomar algum tipo de providência, já que as coisas no Estado só funcionam na base do “susto”. Mesmo reconhecendo que o problema é criticamente nacional, durante o artigo, citarei apenas a lamentável situação que se encontra o setor da Saúde no Espírito Santo, assim, peço aos meus leitores não-capixabas que tentem fazer um parâmetro com a condição do seu estado com a atual do Espírito Santo.
Na última semana, um acontecimento fez com que a população capixaba e a imprensa local voltassem os olhos para uma situação que já há muito tempo necessita de atenção. A doméstica Maria dos Anjos Barcelos, 53, morreu em um Pronto-Atendimento, por demora no atendimento. A vítima chegou com fortes dores no peito, e mesmo com quatro médicos de plantão, a paciente havia sido informada que não havia médicos disponíveis no momento. Assim, após esperar alguns minutos, sofreu um infarto e morreu. Os médicos chegaram logo após junto à um enfermeiro, mas já era tarde demais. A família de Maria disse que vai levar o caso à justiça.
Com este incidente, vários problemas começam a surgir, revelando que o âmago da saúde pública se encontra tão bagunçada e prejudicada, que merece uma atenção mútua do Governo (estadual e federal).
Para começar, nos principais hospitais do estado, não há leitos suficientes, fazendo com que internados fiquem até em escadas (nos corredores já é de praxe na saúde pública), ou em locais que podem agravar o quadro de saúde, como por exemplo, ao lado de lixeiras (São Lucas) ou próximo à esgotos interditados (Dório Silva). Além disso, com superlotação, a demora para consultas, cirurgias e tratamentos faz com que a agravação de casos se tornem sem revés, o que leva pacientes em estado terminal ficar em alojamentos precários na esperança de um cura não muito existente.
O problema é mais crítico do que se pensava, logo que 3 grandes hospitais de Vitória se encontram em greve, inclusive a HUCAM (Hospital Universitário).
Para se tentar diminuir o caos na saúde, o governo do estado do Espírito Santo, devia expandir sua verba. Atualmente, são destinados à este setor, cerca de R$560 milhões, o mínimo imposto pelo Ministério da Saúde (12%), o que é vergonhoso, visto a situação. Em nota para a imprensa, a assessoria do governo, disse que por enquanto é impossível aumentar a verba, e que já se está em prática a ampliação do São Lucas e de outros hospitais, sendo que as obras só ficarão prontas em 2008 – coincidência ou não, ano de eleição.
Além das verbas, para melhorar a situação dos grandes hospitais, poderia definir de uma vez por todas, o perfil de cada hospital. Está na cara que a população não sabe diferenciar uma unidade básica de um com exames especializados. Assim, com a criação de clínicas de pequenos e médios portes nos bairros e definindo o potencial de atendimento de cada uma – além da criação de um programa para ajudar a esclarecer a população a diferença de cada unidade-, o problema da superlotação nos grandes hospitais diminuiria bastante. Tudo é claro, somado com reajuste aos assalariados e investimento em equipamentos e profissionais.
Outra solução para o problema da superlotação nos hospitais nas metrópoles, é uma parceria entre os municípios do interior, dividindo médicos especializados e que custam caro aos cofres das prefeituras.
Claro que tudo isso leva tempo, mas também da pra se fazer em curto prazo também. Será que seria difícil a construção de salas de atendimento externas, direcionadas aos pacientes que se encontram em corredores, por exemplo? Pois, como a população não sabe diferenciar os tipos de hospitais, muitos daqueles pacientes que sofrem de problemas de baixo nível de preocupação são atendidos em clínicas de grandes portes, o que é um problema de pura desordem; e a implantação destas clínicas ajudaria neste quesito.
Assim, o que precisa é o governo pensar mais. Essas soluções não são difíceis de se colocar em prática. Claro, são alternativas que precisam ser trabalhadas em cima. Mas do jeito que está não pode continuar. O problema do SUS já não é de hoje, então porque a demora para solucionar? Talvez seja semelhante à mazela da violência, que precisa de uma quantidade revoltante de mortes para que se tenha uma solução...